Polícia investiga suposto sequestro de uma doméstica
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sexta-feira, 13 de julho de 2001
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
O suposto sequestro de uma emprega doméstica, que começou no bairro Aeroporto, zona leste de Londrina, e acabou em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), mobilizou ontem um grande efetivo de homens e viaturas da Polícia Civil. Dois delegados participaram das investigações.
Lourdes Ferreira Rocha dos Santos, 41 anos, teria sido forçada por um homem louro, de olhos claros, estatura média, a entrar em um carro quatro-portas de cor escura, ao chegar na casa onde trabalha, na Rua João Ribeiro de Barros. A casa, onde a suposta vítima trabalha há um ano, é de propriedade de um comerciante de classe média alta.
No veículo, segundo a suposta vítima, estava outro rapaz e um arsenal de armas. Ela disse à polícia que foi obrigada a deitar-se com uma venda no banco traseiro. De acordo com o depoimento de Lourdes, durante a viagem, de aproximadamente meia hora, os dois supostos sequestradores não se comunicaram, não a agrediram nem a ameaçaram. O rapto teria acabado quando a doméstica entrou em um supermercado para comprar comida e fugiu.
Segundo o delegado-operacional Márcio Vinicius Amaro Ferreira, o episódio tem detalhes intrigantes e os indícios demostrariam que o sequestro não teria ocorrido. Pelo menos duas testemunhas que viram a mulher em Arapongas, um comerciante e um vendedor, disseram à polícia que ela não aparentava nervosismo.
O fato que causa mais estranheza à Polícia Civil é a liberação da suposta vítima em três ocasiões. Nas duas primeiras, os supostos sequestradores permitiram que a empregada fizesse ligações para a empresa do seu patrão e para a casa de familiares. A terceira foi a oportunidade de fuga, com a permissão de que a vítima adentrasse em um supermercado desacompanhada.
A Folha apurou que pelos menos uma hipótese estaria descartada: o engano dos sequestradores, que teriam confundido a doméstica com uma moradora da casa. Ela estava com as chaves e com o controle remoto do portão. Se o objetivo fosse o sequestro de alguém da família, eles teriam entrado na casa com facilidade, opinou o delegado. A polícia também deve investigar a possibilidade da doméstica ter criado toda a história. Neste caso, ela pode ser responder por falsa comunicação de crime, com de um a seis meses de reclusão.


