Ibiporã O misterioso sumiço de 55 armas de fogo do cofre de um banco de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) está intrigando autoridades policiais e judiciárias da cidade. O caso está sendo tratado em segredo de Justiça, a pedido do juiz da Vara Criminal, mas o delegado de Ibiporã, Nagib Nassif Palma, confirmou ontem à tarde o desaparecimento do armamento. ''Não posso dizer nada sobre isso, só posso adiantar que abrimos um inquérito há 10 dias'', resumiu o delegado.
O próprio juiz, que pediu para não ser identificado, admitiu que pode reavaliar sua decisão sobre o sigilo das investigações. ''Nós tínhamos esperanças de recapturar estas armas, mas já que a informação chegou à mídia, estou pensando seriamente em voltar atrás. Nossa intenção era ajudar nas investigações, mas acho que agora perdeu o sentido'', argumentou o magistrado.
A Folha apurou com uma fonte, que acompanha o caso desde o começo, que o furto das armas ocorreu em etapas, provavelmente entre outubro do ano passado e julho deste ano. Segundo a mesma fonte, dois funcionários do banco teriam as chaves e os códigos de acesso ao cofre eletrônico, que é monitorado por um sistema avançado de segurança. As armas, apreendidas nos últimos dois anos, teriam sido utilizadas pelo crime organizado na região.
Segundo o juiz, o sumiço começou a ser notado em maio deste ano, a partir de um incidente ocorrido na região dos Cinco Conjuntos, em Londrina. Um homem teria dado um tiro na própria perna com uma arma aparentemente furtada. O delegado Fátimo de Siqueira, responsável pelo caso, apreendeu o revólver e constatou que ele estava vinculado a um inquérito policial de Ibiporã. ''Foi então que fizemos a recontagem das armas e percebemos que algumas haviam sumido. Em julho fizemos outra conferência, e demos falta de 55 armas'', relatou o juiz.
As armas, cujos inquéritos estão em andamento, ficam depositadas no cofre no banco, enquanto aquelas presas a processos finalizados são enviadas para o 30º Batalhão de Infantaria Motorizada (BIM), de Apucarana. Em julho, a Justiça enviou para o batalhão 130 armas, deixando no cofre mais 60. De acordo com o magistrado, o judiciário abriu uma sindicância interna, tentando apurar uma suposta participação de funcionários, mas nada foi levantado.
O delegado de Ibiporã evitou dar outros detalhes sobre a investigação, principalmente em relação a um eventual envolvimento de funcionários da agência no sumiço das armas.

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