A sucessão de prisões e internações em clínicas de dependentes químicos de Paulo José Aparecido dos Santos, 25 anos, terminou dentro do 'X' - cela na gíria da cadeia - do 2º Distrito Policial (DP) no último domingo. Inicialmente, as investigações policiais caminham na direção de suicídio. Porém, as circustâncias estranhas em que a morte aconteceu, despertam dúvidas que devem ser esclarecidas pelo inquérito policial, que tem à frente o delegado operacional do setor de homicídios, Joaquim Antônio de Melo. Ele tem prazo de 30 dias para investigar o caso.
O primeiro questionamento é como um detento consegue se matar em uma cela com outros 10 presos sem que ninguém tente impedí-lo. O suposto suicídio aconteceu em pleno dia, por volta das 15 horas.
Para chegar a essa e outras respostas que o inquérito deve apurar, o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, diz que os presos que estavam na cela com Santos serão ouvidos. ''Queremos saber se o que estão dizendo é verdade quando afirmam que não perceberam nada de errado acontecendo na cela. Por enquanto, não existe referência sobre rixas', aponta Jurandir Gonçalves André.
O delegado diz que os demais presos da cela em que ocorreu o suposto suicídio avisaram sobre o enforcamento só depois que Paulo já estava morto.
O Instituto Médico de Londrina (IML) tem prazo de 10 dias para emitir um laudo que ajudará a esclarecer a morte. Também deve ser realizado um exame para verificar se a caligrafia de um bilhete e uma carta, que Santos teria escrito à família, é realmente sua.
'O que sabemos é que existem referências de um quadro depressivo do rapaz que morreu, tanto que chegou a ser deslocado de uma cela para outra', afirma o delegado-chefe.
Ontem à tarde, após o enterro realizado no Cemitério da Saudade, em Apucarana, cidade em que reside, a família fez uma peregrinação pelos corredores da polícia londrinense, buscando informações e respostas.
Benedito Aparecido dos Santos, 38 anos, mecânico, era irmão do rapaz que morreu. Ele lembrou que Paulo já tinha sido preso pelo menos outras três vezes. ''Numa delas ficou detido cinco meses e ao sair, pediu ajuda para conseguir se livrar das drogas. Quero saber o que aconteceu e como alguém comete suicídio no meio de 10 pessoas e ninguém faz nada'', questiona Benedito, acrescentando que o irmão não tinha motivos para se matar. Segundo a polícia, Santos teria se enforcado com uma corda feita de pedaços de pano que estavam na cela.

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