Polícia investiga roubo de tratores
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terça-feira, 14 de outubro de 1997
Agência Estado 
Curitiba
O delegado de Teixeira Soares, no sul do Paraná, a 165 quilômetros de Curitiba, Marcus Vinicius Sebastião, instaurou ontem inquérito policial para apurar o suposto roubo de dois tratores por trabalhadores sem-terra que ocupam a Fazenda Gemar, no recém-criado município de Fernandes Pinheiro. O líder do acampamento, Moacir Margraf, já foi indiciado. O MST nega as acusações.
A denúncia foi feita pelo advogado José Evangelista. Segundo o advogado, Margraf e outros três sem-terra - identificados apenas como Miguel, Paulo e Antônio - teriam estado dia 15 de setembro na casa do capataz João da Silva, que fica fora da fazenda, e sob pressão e grave ameaça, se apoderado de dois tratores.
A região de Teixeira Soares tem várias fazendas ocupadas. Ontem Sebastião deveria ouvir os pais de um menino desaparecido há oito anos. O trabalhador rural Joaquim Tobias Neto, dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), denunciou ao secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, que o menino foi morto por um sem-terra na ocupação da Fazenda São Joaquim, em Teixeira Soares. O secretário, que está viajando, pediu que os fatos fossem apurados.
Tobias Neto foi um dos líderes da ocupação da Fazenda Gemar, no dia 10 de novembro do ano passado, mas se rebelou acusando o MST de tê-lo enganado. Segundo ele, a coordenação do MST havia dito que a fazenda pertencia a um banco e que já estava desapropriada. Ele também acusou o MST de cobrar 20% do que é produzido na propriedade e de manter armas nos acampamentos.
O delegado também apura um tiroteio ocorrido na Fazenda Santo Antônio, em Teixeira Soares, dia 26 de agosto. O segurança Waldecir Antônio da Silva, de 26 anos, foi ferido com três tiros nas pernas quando dezenas de famílias de sem-terra tentavam invadir a área. Os sem-terra afirmam que foram os próprios seguranças que deram os tiros.


