Jovens de Londrina estão brincando com coisa série. As polícias Militar e Civil estão investigando uma prática tão conhecida quanto perigosa no trânsito: a roleta paulista, que consiste em passar por cruzamentos em alta velocidade sem se importar com a sinalização nem com outras pessoas. O vencedor é quem ultrapassa o maior número de sinais vermelhos. Reflexo, segundo especialista em comportamento, de uma personalidade reprimida que busca na transgressão inconsequente a emoção inexistente em outras esferas da vida juvenil.
De acordo com o delegado de Trânsito, Airton Simplício, a transgressão vem se repetindo a algum tempo, principalmente durante as madrugadas. ''Temos observado que durante a noite, jovens estão passando em alta velocidade pelos semáforos, estando abertos ou fechados'', apontou o delegado. Ele lembrou que já houve registros de acidentes, inclusive com mortes, que podem ter ligação com a prática da roleta paulista.
Simplício já contatou a Polícia Militar de Trânsito para, juntos, implementarem medidas de combate à roleta paulista e também dos rachas. Quem for flagrado furando semáforos em alta velocidade poderá sofre uma punição pesada. O veículo poderá ser apreendido e o condutor autuado por direção perigosa entre outros delitos. E a punição aumenta ainda mais se esse tipo de irresponsabilidade provocar algum acidente com vítima fatal. ''Constatando essas circunstância a pessoa vai responder por dolo eventual quando assume o risco e não se importa com o resultado'', avisou o delegado. Na prática significa dizer que o condutor pode responder por homicídio doloso com intenção de matar , pode ir a juri popular e está sujeito a uma pena que varia de seis a 12 anos.
O diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Álvaro Grotti Júnior, explicou que ninguém foi multado ainda porque as roletas e os rachas acontecem durante a madrugada e a fiscalização atua até as 21 horas. Mas, de acordo com ele, nesta situação cabe muito mais a educação do apenas a punição. Grotti Júnior adiantou que a próxima campanha educativa da CMTU contempla várias ações direcionadas à adolescentes e universitários, ''que é o público que pratica esse tipo de coisa''.
Especialista em comportamento, o psicoterapeuta Cláudio Sproesser analisou que a roleta paulista pode ser entendida como a atração do jovem pela emoção do que pode acontecer, buscando uma valorização interna. ''Ele busca na transgressão da lei uma realização pessoal'', completou, lembrando que o praticante geralmente é um indivíduo reprimido que procura, com isso, quebrar as convenções estabelecidas. ''Está buscando o limite sem medir as consequências para as outras pessoas'', concluiu Sproesser.

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