Polícia investiga relação com outros assaltos
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quarta-feira, 05 de setembro de 2001
Betânia Rodrigues 
A Polícia Civil de Londrina suspeita que a quadrilha de ladrões que roubou a joalheria Bergerson na terça-feira está atuando na região há um ano. O delegado Jurandir Gonçalves André, disse que ela tem, no mínimo, cinco integrantes, a maioria deles do interior do Estado de São Paulo e outros daqui. A pista que levou a esta conclusão foi a chácara usada para prender a família do subgerente da joalheria, Antonio Roberto Torres. ''Quando ele descreveu o cativeiro automaticamente lembramos da chácara que já serviu de esconderijo'', explicou.
Outra certeza que a polícia tem é que o grupo está fortemente armado. Segundo o delegado, eles possuem, pelo menos, um fuzil AR-15 e duas metralhadoras UZI que já foram utilizadas há 20 dias num roubo não divulgado para a imprensa. Um dos 11 funcionários ouvidos ontem pela delegada Waldete Testoni, do 1º DP, disse que um dos ladrões é branco com aproximadamente 1,75 metro de altura, cabelos castanho escuro, idade entre 20 e 30 anos. O outro é mulato, gordo, baixo, cabelo curto e encaracolado aparentando 30 anos. Um detalhe que pode auxiliar as investigações é que um deles tem uma cicatriz labiopalatal (entre o nariz e o lábio superior).
Conforme o delegado André, essas características foram confirmadas também pelos caseiros da chácara e pelo proprietário do imóvel, dono do Buffet Espaço Livre, de Ibiporã, conhecido como Toninho. ''Ele alugou o imóvel na segunda-feira para um homem que disse precisar do local para festa de despedida de solteiro para 15 pessoas. O aluguel foi de R$ 200,00 por um dia e o negócio combinado através de um telefone celular que registrou apenas chamadas regionais naquele dia.''
Toninho disse à polícia que esteve na chácara no final da tarde de segunda-feira para levar utensílios domésticos e lá encontrou quatro homens e três veículos (uma pick-up corsa branca, um tempra e um palio ou gol prata) cujas placas não memorizou. O caseiro estranhou a pouca movimentação durante à noite e ao acordar na terça-feira não viu mais ninguém.
A caminhonete Blaser, cor prata, placa AJS-4471, usada pelos ladrões no sequestro da família de Torres foi abandonada no estacionamento do supermercado Musamar (centro da cidade) logo depois do roubo. De acordo com o guardador de carros do estabelecimento, Henrique Alves da Silva, o motorista do veículo era alto, branco, cabelo loiro, estava muito bem vestido, usava um telefone celular e um radiotransmissor no bolso. ''Estranhamos que as portas da caminhonete estavam destravadas e os vidros abertos. Como ninguém veio buscá-la acionamos a Polícia Militar que reconheceu a placa'', lembrou o funcionário.
O perito criminal Marco Antonio Ota disse que as digitais deixadas na lataria e nos vidros do veículo são imprestáveis. Resta agora examinar capas de CDs, garrafas e sacos plásticos, cabides, lençol e travesseiro. ''Além da pequena chance de encontrarmos alguma digital boa, também estamos abarrotados de trabalho com casos mais urgentes que esse'', afirmou o perito.
A delegada Waldete Testoni disse que até o final dessa semana deve ouvir todas as pessoas indicadas pela investigação.


