James Alberti
De Curitiba
Os hotéis de alta rotatividade e as pensões da região central da cidade são apontados como pontos de venda de drogas por moradores vizinhos e pelo Conselho Comunitário de Segurança dos bairros Centro Cívico e São Francisco. Os estabelecimentos também servem, conforme as denúncias, de esconderijo para batedores de carteiras e assaltantes.
O presidente do conselho de segurança, Alberico Ventura do Nascimento, afirmou ontem ter identificado oito pessoas que são integrantes de um esquema de venda de crack numa pensão na Rua 13 de Maio, no bairro São Francisco. Na sexta-feira passada, a pensão pegou fogo e Nascimento foi ao local. Lá teria visto os suspeitos. Segundo ele, o conselho tem feito um levantamento sobre os envolvidos no tráfico desde 1998. Nascimento não soube dizer, porém, o número de pessoas que teriam sido identificadas.
As reclamações chegaram ao gabinete do secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, que determinou ontem operações ‘enérgicas’ para investigar o problema. Conforme o assessor de imprensa do secretário, Valdir Bicudo, as ações devem ser conjuntas entre a Polícia Militar e a Delegacia de Ordem Social, da Divisão de Segurança e Informações (DSI). Uma dessas operações acontece hoje, às 15 horas, só com agentes da Polícia Civil. Os policiais deverão fazer um cadastramento dos hotéis e pensões. ‘‘Os que não estiverem dentro da lei serão fechados’’, ameaçou Bicudo.
As batidas policiais deverão atingir também as prostitutas que trabalham nas proximidades do Passeio Público – que reapareceram em grande números nos últimos dias, como mostrou a Folha ontem. Apesar dos esforços da prefeitura para revitalizar o parque, é fácil comprovar a prostituição no local.
O delegado chefe da DSI, Osmar Tadeu Cardoso, acredita que o problema seja difícil de ser resolvido, já que tem causas sociais. Soma-se a isso o fato da prostituição não ser crime (leia ao lado). Conforme o delegado, é preciso também separar o joio do tigro. Devidos aos baixos preços, segundo ele, nesses hotéis residem também famílias que não possuem residência.
Apontados como promotores da prostituição, oito hotéis de alta rotatividade, que funcionavam próximos ao Passeio Público, foram fechados no ano passado pela prefeitura. Seis deles, porém, obtiveram na Justiça ordens judiciais para voltar a funcionar. Segundo o secretário de Urbanismo, Carlos Alberto Carvalho, três dessas ordens judiciais foram cassadas. A prefeitura ainda tenta cassar as outras três.
O retorno das prostitutas na região do passeio público contraria um projeto de revitalização do local, que está sendo desenvolvido há cinco meses pela prefeitura. Nem mesmo um posto da Polícia Militar, que funciona dentro do passeio, consegue inibir a ação das prostitutas.

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