Curitiba Depois de prender em flagrante um motorista de ônibus escolar acusado de praticar atos libidinosos com uma menina de 12 anos, na última sexta-feira em Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa), a Polícia Civil abriu inquérito contra mais uma pessoa. Ela também é acusada de pedofilia pelas adolescentes que estão sendo ouvidas. Até ontem, a polícia tinha identificado quatro meninas, entre 12 e 13 anos, que estariam sendo vítimas de abusos sexuais e pelo menos uma das mães admitiu que tinha conhecimento de que sua filha estava tendo algum tipo de relacionamento sexual com o motorista.
O caso foi descoberto a partir de uma denúncia anônima feita ao Conselho Tutelar de Castro. O motorista Jorge Constante Ortis, de 55 anos, foi preso em flagrante, no momento em que estava com uma garota de 12 anos dentro do ônibus. Segundo o delegado Messias Antonio da Rosa, o motorista, que transportava diariamente 50 crianças, tinha montado um ''quartinho'' nos fundos do veículo, inclusive com uma cama de solteiro improvisada com bancos do ônibus, e que permanecia fechado. Junto com ele, segundo a polícia, foram encontrados doces, recortes pornográficos e carrinhos de brinquedo.
A garota admitiu que estaria se encontrando com o motorista há três meses. De acordo com o presidente do Conselho Tutelar, Dalmir Elizeu Cozares Santos, a menina afirmou que os dois ''faziam sexo de brincadeira''. En troca, teria recebido doces, brinquedos, dinheiro e um telefone celular. A garota foi encaminhada para fazer exames no Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Grossa. O laudo que vai dizer se houve conjunção carnal deve sair sair em 15 dias.
Em seu depoimento, a garota afirmou que outras meninas também estariam sendo vítimas de abuso sexual e citou o nome de outro adulto, com quem se encontrava na casa dele, no bairro Cantagalo. Trata-se de um funcionário público, de 57 anos, identificado apenas como ''Profeta''. Duas meninas afirmaram que ele tirava fotografias. Na casa, a polícia encontrou revistas pornográficas e fotos eróticas de adultos. A suspeita é que, ao saber da prisão do motorista, o ''profeta'' tenha retirado de casa todo material que pudesse incriminá-lo.
Há suspeitas, ainda, de que ele enviasse as fotografias para serem exibidas em sites da Internet. O funcionário não foi preso, mas também foi indiciado por pedofilia. Em depoimento à polícia, os dois negaram ter abusado sexualmente das crianças. Segundo o delegado, a mãe da garota que estava com o motorista no flagrante disse que tinha conhecimento da situação. As outras mães negaram ter conhecimento, mas ele não acredita que seja verdade. ''Não tinha como não saber, pelas coisas que as meninas recebiam, dá para perceber conluio das mães'', afirmou.
A Polícia Civil tem prazo de dez dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público, que deve decidir se pedirá a prisão do Profeta e se responsabilizará a mãe da garota. A polícia afirma, no entanto, que tratam-se de casos distintos, e que não se trata de um esquema conjunto de pedofilia.

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