Apucarana

Odair StraliottiAtrás das gradesRozendo Catala foi apresentado à imprensa no sábado à tarde: prisão em flagranteA polícia apresentou à imprensa, anteontem à tarde, na 17ª Subdivisão Policial, em Apucarana, um dos sequestradores do fazendeiro Paulo Akira Kishino, 68 anos. Trata-se do espanhol Rozendo Catala Y Lucas, 43 anos, natural de Barcelona, radicado há alguns anos no Brasil.
Kishino foi sequestrado no dia 16 de julho, próximo de sua fazenda em Rio Bom (35 quilômetros ao sul de Apucarana), e libertado no último sábado, pelo Tigre (grupo especial da Polícia Civil). Ao apresentar o sequestrador à imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Arthur Oscar Correia Braga, lembrou que desde a criação do Tigre, em 1989, o grupo especializado em situações em que há reféns nunca um sequestro deu certo no Estado. ‘‘Nunca houve vítimas e ninguém pagou resgate’’, frisou ele, assinalando que Kishino foi libertado ‘‘sem nenhum arranhão’’.
Com o desfecho do sequestro, o inquérito policial do caso foi instaurado na 17ª SDP, e está sendo presidido pelo delegado João Batista Pinto, do 1º Distrito Policial. Ainda no sábado, ele autuou Rozendo Catala Y Lucas em flagrante por crime de extorsão mediante sequestro.

Odair StraliottiOntem começaram a ser ouvidos depoimentos de várias pessoas, incluindo familiares dos dois sequestradores mortos - Pedro Benedito da Silva, 32 anos, de Marilândia do Sul; e José Francisco dos Santos, 33 anos, residente em São Bernardo do Campo (SP). Parentes de Pedro da Silva, residentes em Marilândia, prestaram informações sobre suas últimas atividades e relacionamentos. Agora a polícia tem dez dias para concluir o inquérito e remetê-lo à justiça.
Conforme revelou Pinto, os delegados e investigadores do Grupo Tigre deixaram Apucarana ontem, mas vão continuar investigando o envolvimento de um quarto integrante da quadrilha. ‘‘Trata-se de uma pessoa que participou apenas do início do sequestro e organização do cativeiro’’, informou.
Desde a prisão de Rozendo, em São Bernardo do Campo, foi deflagrada a operação que culminou com a libertação do fazendeiro de Rio Bom. O espanhol foi detido num telefone público, quando tentava mais um contato com a família da vítima.
Ao ser flagrado, Rozendo logo admitiu seu envolvimento no sequestro. Interrogado pelos delegados do grupo, acabou indicando o local do cativeiro, em meio a uma mata, próximo a Marilândia do Sul.

Odair StraliottiAcima, o delegado Arthur Oscar Correia Braga, durante
apresentação do sequestrador: elogios ao grupo Tigre.
Acima, fotos do sequestradores mortos Pedro Benedito
da Silva (à esquerda) e José Francisco dos Santos
(à direita): corpos encaminhados ao IML de CuritibaOs dois cúmplices de Rozendo, Pedro da Silva e José dos Santos foram mortos durante a libertação da vítima. Os corpos foram transferidos para o Instituto Médico Legal de Curitiba, onde seriam liberados para as famílias. De acordo com o espanhol, Pedro da Silva foi o mentor do sequestro. Segundo Rozendo, ele conhecia a família de Kishino, suas posses e hábitos.
À polícia, o espanhol admitiu que ele era o responsável pela negociação do resgate - inicialmente estipulado em R$ 1 milhão, e depois reduzido para R$ 200 mil - com a família. Rozendo revelou ainda que também era encarregado de levar alimentos (pão e enlatados) aos outros dois sequestradores e ao refém. Os alimentos, segundo ele, eram entregues a cada semana, atrás de uma capela, em Marilândia do Sul - a polícia ainda não identificou o local.
Ontem Kishino deixou o hospital e voltou para sua fazenda, onde reside há 50 anos. À imprensa ele disse que nunca esperava passar por tal experiência. ‘‘Isso vai ficar marcado em minha vida’’, declarou. Kishino informou que não pretende mais morar na fazenda, por questão de segurança.

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