Polícia investiga o ‘escândalo do leite’
A pedido da promotoria, é aberto inquérito para apurar tentativa de extorsão por assessores da Câmara contra cooperativas
Osmani Costa
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão da Polícia Civil (PC) de Londrina, Vanderci Corral Fernandes, abriu, na tarde de ontem, inquérito para investigar a denúncia do presidente da Cativa, Osmar Buzinhani, de que teria sido vítima de tentativa de extorsão por três assessores de vereadores. O inquérito foi aberto por solicitação do promotor Cláudio Zuan Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), e será presidido pelo delegado do 4º Distritito Policial, Joaquim Antonio de Mello.
O promotor Esteves enviou outro ofício, também na manhã de ontem, solicitando ao presidente da Câmara Municipal, Adalberto Pereira da Silva (PFL), que seja encaminhada à PC a fita K-7 em que o presidente da Cativa diz ter gravado o diálogo em que ocorreu a tentativa de extorsão, no dia 13 de abril.
‘‘O inquérito está aberto e o delegado responsável por ele designado. Nos próximos dias, o delegado do 4º Distrito - que é a região em que está localizada a Cativa - tomará o depoimento do denunciante, iniciando a primeira fase dos trabalhos de investigação’’, comentou Vanderci Fernandes. ‘‘Assim que recebermos a fita K-7, ela será encaminhada ao Instituto de Criminalística para degravação, checagem da veracidade e outras análises necessárias.’’
As três pessoas acusadas são: Aristeu Neves Rodrigues - funcionário da prefeitura e ex-assessor do vereador Alvair de Souza (PL) -, José Rojas Gavilan - ex-assessor de Beto Scaff (PSDB) -, e Fred Max Mota, que se apresenta como assessor da Assembléia Legislativa e frequentava assiduamente o gabinete do ex-vereador Jacy Aguiar (PDT), suplente que exerceu o mandato até o final de março.
Segundo Osmar Buzinhani, os três teriam exigido R$ 80.000,00 para evitar a divulgação do resultado de análises da qualidade do leite da Cativa e da Central Norte, de Apucarana (55 km a oeste de Londrina) - R$ 50.000,00 da Central Norte e R$ 30.000,00 da Cativa. As análises laboratoriais foram realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, em março, com amostras de oito marcas de leite comercializadas em Londrina: Cativa, Régio, Batavo, Ubá, Caitu, Guri, Londrina e Marcial.
As amostras dos produtos foram coletadas em diferentes supermercados da Cidade, por Fred Max Mota, sob acompanhamento do promotor de Defesa dos Direitos do Consumidor, Leonir Batisti. As análises haviam sido aprovadas pela Câmara - que pagou por elas R$ 3.500,00 - a pedido do então vereador Jacy Aguiar, que dizia no requerimento estar preocupado com a qualidade dos leites vendidos em Londrina e com a saúde dos consumidores.
O Instituto Adolfo Lutz informa que enviou o resultado das análises, pelo Correio, ao ex-vereador Jacy Aguiar no início de abril. Aguiar não foi localizado pela reportagem da Folha e nem deu retorno às ligações telefônicas, nos últimos dois dias. A Câmara criou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), presidida por Antenor Ribeiro (PPB), pra investigar o ‘‘escândalo do leite’’.
A segunda reunião da CEI acontece na tarde de hoje, para a qual foram convocados a prestar depoimento os assessores acusados pelo presidente da Cativa.

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