Polícia investiga morte de operário no canteiro de obra
O empresário Gilberto Caetano, que mantém o serviço de balsa no Rio Ivaí, também crítica a Empreiteira Arteleste. Segundo o empresário, a Arteleste mantém uma estrutura precária de serviço e não oferece segurança aos operários. Em 12 de setembro, o operário José Arnaldo da Conceição, 28 anos, de Tapejara, morreu no canteiro de obras.
Caetano afirma que o rapaz morreu por ter ficado muito tempo dentro da câmara de ar comprimido, equipamento utilizado para construir as fundações no leito do rio. Submetido a uma pressão muito grande, o trabalhador tem de passar por uma descompressão antes de sair da câmara. De acordo com Caetano, a empreiteira não tinha câmara de descompressão no canteiro e só levou o equipamento depois da morte do operário.
O pescador Adalto Josér Vieira, 53 anos, morador no porto, afirma que o José Arnaldo já estava arroxeado quando foi retirado da câmara de ar comprimido. No Instituto Médico-Legal de Umuarama, os funcionários da Arteleste declararam que o operário havia sofrido uma parada cardíada enquanto dormia no alojamento. O IML atestou morte súbita.
O inquérito instaurado pelo delegado Raul Bruneto, concluiu que o operário morreu de causa natural, com base no atestado do IML, mas o promotor do Fórum de Cidade Gaúcha, Sandro Hannickel, questionou a autópsia e pediu novas investigações. Bruneto disse que enviou novamente o inquérito para a promotoria, mas não quis dar detalhes sobre as investigações.
O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Construção de Estradas do Paraná (Sintrapav) também investigou a morte do operário, mas não conseguiu apurar nada. No canteiro, todos disseram que o rapaz passou mal dormindo, disse Luiz Alves de Oliveira, do Sintrapav em Maringá.
Gilberto Caetanto diz que a empresa ameaçou demitir todos os operários se contassem a verdade. Segundo ele, seis teriam sido demitidos por se revoltarem contra a atitude da empresa. Luiz Oliveira informou que o sindicato continua acompanhando o caso.
Sócio da Arteleste, o engenheiro civil Túlio Beltrão Filho, garante que a morte do operário não foi acidente de trabalho. Mesmo assim, tomamos todas as providências. Custeamos o funeral, estamos fornecendo cesta básica para a viúva e os dois filhos e encaminhamos toda a documentação para receberem pensão da Previdência.
Segundo Beltrão, a Arteleste existe há 15 anos e executa obras de engenharia civil e de obras de arte (pontes) em todo o Brasil. No Paraná, constrói a ponte do Rio Ribeira, na divisa do Paraná com São Paulo e um viaduto na BR-166. Se não tivéssemos capacidade para fazer estas obras, não venceríamos as concorrências. (V.M.)





