Curitiba - A Polícia Civil de Paranaguá investiga se a causa da morte de uma criança de dois anos, na noite de segunda-feira, em Paranaguá, no Litoral do Estado, pode ter sido desnutrição. A menina chegou ao Posto de Saúde municipal Baduca por volta de 20 horas, mas morreu em seguida. O médico de plantão comunicou a delegacia e em sua declaração, anexada ao Boletim de Ocorrência (BO), afirmou que a criança estava em estado de desnutrição grau 3, que é a situação mais crítica da deficiência.
Se a causa for comprovada, a mãe da menina será indiciada em inquérito policial por abandono material, ou seja, por negligência e não aplicação dos cuidados necessários à saúde do bebê. Para confirmar se houve desnutrição e se essa foi a causa da morte a polícia aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML) do município, que deve ficar pronto em dez dias.
Segundo o delegado José Antonio Zuba de Oliva, o caso corre em segredo de justiça e por isso não podem ser divulgados detalhes que identifiquem as pessoas envolvidas. Ele não soube dizer como estava a criança no momento em que morreu. De acordo com ele, a mãe trabalhava em um mercado e deixava a menina de dois anos o dia todo sozinha em casa.
A médica Cristiane Marangon, coordenadora do Programa de Saúde da Criança da Secretaria Municipal de Curitiba, explica que para determinar a causa da desnutrição é necessário primeiro avaliar a criança para definir se isso foi causado pela ingestão inadequada de nutrientes ou se é decorrente de outra patologia não nutricional, como uma neoplasia, uma doença renal crônica ou mesmo uma infecção, que também podem debilitar o organismo.
''Normalmente não existe um fator só, há uma complexidade de fatores ambientais, sociais'', diz, lembrando que a desnutrição pode ser agravada por condições metabólicas, como uma diarréia crônica, por exemplo. A desnutrição de grau três é a mais grave, sendo caracterizada pela falta de vários nutrientes necessários ao organismo. As crianças, segundo ela, são mais suscetíveis a essas situações.

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