A Polícia Civil de Londrina está investigando o surgimento de máquinas caça-níqueis em bares e bancas de revistas da cidade. Alguns desses equipamentos, que servem para apostar dinheiro, já foram apreendidos e estão passando por perícia no Instituto de Criminalística. O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Acácio de Azevedo, disse que o objetivo da operação é identificar se o jogo realizado em Londrina é de habilidade ou de azar - no último caso, proibido no Brasil. Em São Paulo, o mesmo tipo de equipamento foi considerado jogo de azar (ver texto ao lado).
‘‘Nós também faremos uma análise da legislação. Existem jogos que são permitidos e jogos que não são’’, disse o delegado. Os jogos de azar estão descritos no artigo 50, parágrafo 3º, da Lei das Contravenções Penais, e prevêem penas de até um ano de prisão. O texto define jogo de azar aquele em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte.
Segundo o delegado-adjunto da 10ª SDP, caso o resultado da perícia e do estudo da legislação apontem para a ilegalidade do jogo, a polícia poderá até sugerir a cassação do alvará de funcionamento dos estabelecimentos onde já existem as máquinas, além de intensificar a fiscalização para não permitir a instalação de outras. Ele ainda não tem um levantamento mostrando quantos desses caça-níqueis estão operando na cidade.
O engenheiro Luciano Bucharles, perito da Criminalística, informou ontem que cinco máquinas, a maioria de Londrina, foram encaminhadas ao setor e três já estão periciadas. Ele explicou que entre os quesitos solicitados pela polícia estão a descrição física da máquina, qual risco à integridade física do jogador e o cálculo de probabilidade do resultado, apontando quanto do valor apostado é devolvido em forma de premiação. ‘‘Das que fizemos a perícia, a média de retorno é entre 84% e 86%.’
Detalhe: as máquinas têm um dispositivo e também um circuito eletrônico em que o valor dos prêmios pode ser regulado pelo responsável pelo equipamento. Por isso, todas as máquinas que estão passando pela Criminalística estão tendo este sistema lacrado com material especial. Se o dono da máquina quiser melhorar o percentual de lucro, só o fará se romper o lacre.
Josoé de CarvalhoComodatoO comerciante João Medeiros mantém duas máquinas: ‘‘Só adulto. Criança a gente não deixa jogar’’‘‘Aqui a máquina paga no mínimo 69% do recolhido. De 69% a 81%’, garantiu João Medeiros, dono de uma banca de revistas no Mercadão do Shangri-lá (zona oeste), onde mantém duas máquinas em regime de comodato. ‘‘Mas tem outras por aí que só pagam 30%.’ Segundo ele, os caça-níqueis estão instalados no local há três meses e atrai uma clientela modesta: cerca de 10 pessoas por dia. ‘‘Só adulto. Criança a gente não deixa jogar’’, garantiu. Na máquina está um adesivo informando que só podem jogar pessoas com 18 anos ou mais.
Medeiros informou ainda que as máquinas foram adquiridas através de uma empresa do Rio de Janeiro que tem representante em Londrina. Usando o número de um telefone grafado no próprio caça-níquel, a Folha tentou falar com o responsável pela representação em Londrina, chamado Anderson, mas não o encontrou nem obteve retorno da ligação. A secretária da empresa não quis informar o nome nem o endereço da empresa. Na Sercomtel, a informação é que a empresa é do ramo da agricultura.
Outro caça-níquel está instalado numa lanchonete localizada no início da Avenida Madre Leônia Milito (zona sul). ‘‘O prêmio pode ser até 100 moedas de R$ 0,25, diz Edina Gonçalves da Silva, funcionária da lanchonete. ‘‘A criançada até quer jogar, mas a gente não deixa.’

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