Arquivo FolhaRespostaO líder do MST, Josmar Choptian: ‘É uma tentativa de amedrontar os sem-terra. Não terá sucesso’A Sociedade Rural do Paraná (SRP) requereu, no mês passado, instauração de inquérito policial contra Josmar Choptian, da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST), por causa das ameaças de invasões de terras. O inquérito foi aberto no 3º Distrito Policial (zona oeste), sendo que já foram ouvidas algumas testemunhas de acusação e o presidente da SPR, Manoel ‘‘Neco’’ Campinha Garcia Cid. Josmar Choptian disse ontem à tarde que desconhecia este procedimento.
Neco Garcia diz que tomou a atitude diante do estado de insegurança e intranquilidade dos proprietários rurais da região. ‘‘Eles (integrantes do MST) estão falando que fazendas vão ser invadidas’’, relata. O presidente da Sociedade Rural ressalta que o MST tem falado constantemente na imprensa que pretende organizar um acampamento gigante na região de Londrina, com a participação de cerca de cinco mil pessoas. ‘‘É um ato de irresponsabilidade, um verdadeiro convite para a baderna. Não existem na região locais suficientes para assentar cinco mil famílias’’, comenta Neco Garcia.
O presidente da SRP destaca que invasão de terra é ilegal e acredita que ‘‘essa atitude não leva a nada’’. Ele lembra que, no ano passado, a entidade ofertou cerca de 15 mil alqueires de terras para serem adquiridas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e destinadas ao assentamento.
O pedido de instauração do inquérito foi feito pelo advogado da Sociedade Rural, Edson de Jesus Deliberador. No ofício, o advogado argumenta que Josmar Choptian tem divulgado, através da imprensa, que está arregimentando e orientando contingentes de pessoas para ocupação de propriedades agrícolas da região. Ele destaca ainda que tais ocupações não são nada mais que invasões, o que se constitui em crime.
Junto com o ofício, o advogado anexou recortes de matérias publicadas em jornais sobre o MST (com destaque em declarações de Josmar Choptian) e cópias de documentos diversos, como de reintegração de posse de fazendas invadidas nos últimos meses.
O inquérito, que apura o crime de esbulho possessório (apoderar-se de propriedade alheia), está sendo conduzido pelo delegado Joaquim Antônio de Melo. No início deste mês, ele ouviu Neco Garcia e três testemunhas - fazendeiros ou filhos de proprietários rurais que sofreram invasões. Ele diz que pretende tomar o depoimento de outras testemunhas e só depois ouvirá Josmar Choptian. Devido ao acúmulo de trabalho no distrito, o delegado acredita que o diretor do MST só poderá ser ouvido daqui a 15 dias.
O delegado tem 30 dias para concluir o inquérito, mas o prazo pode ser prorrogado. Concluído, o inquérito será remetido ao Ministério Público, que poderá oferecer ou não a denúncia contra o líder do MST. A pena para este tipo de crime é de um a seis meses de detenção.
Josmar Choptian disse ontem à tarde desconhecer que era alvo de inquérito policial, mas ressalta não estar preocupado. ‘‘Em nenhum momento eu afirmei que faria ocupações, mas sim um acampamento’’, relata. Ele explica que o acampamento, a princípio, seria feito na fazenda Serraria, em Tamarana. As famílias ficariam no local aguardando negociações com o Incra. O local e a data exatos ainda não foram escolhidos. Josmar disse que tem feito reuniões com a superintendente estadual do Incra, Maria de Oliveira.
Sobre as invasões, o diretor do MST lembra que existe um acordo feito com o Incra que determina que elas não ocorrerão até o dia 15. Depois desta data, ele afirma não ter haver nada decidido. ‘‘A luta pela reforma agrária não é mecânica, não sabemos ainda o que vai acontecer depois do dia 15’’, explica.
Ainda de acordo com Josmar Choptian, este inquérito é injusto. ‘‘Não estamos roubando, nossa bandeira é a luta pela terra’’, ressalta. Ele acredita que a medida tomada pela SRP é uma forma de amedrontar o movimento dos sem-terra. ‘‘Se essa for a intenção’’, afirma Josmar Choptian, ‘‘a Sociedade Rural não terá sucesso’’.

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