Polícia investiga laudos no IML
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terça-feira, 09 de abril de 2002
Luciana PomboEquipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Civil do Paraná está investigando a falsificação de laudos no Instituto Médico Legal (IML). A Folha apurou que um mesmo corpo periciado por médicos legistas recebeu dois laudos: um com a causa mortis em tese verdadeira e outro tendo como causa mortis lesões decorrentes de um acidente de trânsito.
Vários laudos têm como causa mortis lesões por acidente de trânsito. A Fenaseg, a federação nacional das seguradoras, suspeita que a duplicidade de laudos faz parte de um esquema para fraudar a liberação do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT).
Esta não é a primeira vez que são encontrados laudos falsos no IML. Entre 1996 e 2000, também houve falsificações ainda sob investigação. A Folha recebeu anonimamente dois laudos que teriam sido emitidos na atual gestão, do legista Wagner Luiz do Nascimento, que tomou posse no dia 20 de novembro de 2000. Ele foi conduzido ao cargo depois de um período de intervenção, instaurada para investigar as denúncias de fraude interna do DPVAT e supostas irregularidades administrativas detectadas durante a gestão do professor Francisco Moraes e Silva.
O laudo, em tese falsificado, é de nº 1732/01 e foi confeccionado no dia 1º de agosto de 2001. O relatório é de um laudo cadavérico feito no corpo da comerciária Roselani Bisoni Nicola, de 43 anos. Ela teria morrido às 15h30 por lesões crânio encefálicas, ocasionadas por atropelamento. O laudo é assinado pelos legistas Diclei Mellinger e Hélio Galileu Bonetto e foi reconhecido como verdadeiro pelo Departamento da Polícia Civil e registrado em cartório.
No entanto, suspeitá-se que o laudo verdadeiro é outro, com o mesmo número. O relatório deste foi feito no dia 1º de novembro de 2001. É um exame de necropsia no corpo do autônomo Antonio Padilha, 73 anos. Ele teria morrido vítima de lesões encefálicas provocadas por queda de nível e não por atropelamento. O exame foi assinado pelos legistas Hélio Galileu Bonetto e Nicolau Malluf Dabul Júnior. O laudo falsificado teria aparecido após as investigações iniciais da Fenaseg, que emitiu o documento para o IML de Curitiba.
Além dos laudos recebidos pela Folha, outros oito laudos teriam sido enviados para a conferência do IML.


