Polícia investiga hospital de Sarandi
Marta Medeiros Especial para a Folha
A promotora de Justiça de Sarandi (7 km a leste de Maringá), Mônica Maciel Gonçalves, pediu a abertura de inquérito policial contra 10 pessoas, entre sócios-proprietários, diretores e médicos do Hospital Metropolitano. Eles estão sendo indiciados por crime de concussão, previsto no artigo 316 do Código Penal, pela cobrança indevida em atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O pedido do Ministério Público chegou na Delegacia de Sarandi na última sexta-feira.
São quatro inquéritos envolvendo pessoas que foram obrigadas a pagar pelo atendimento ou serviços do hospital. Em um dos processos está o caso do auxiliar de escritório Valdeci de Cena, que pagou ao Metropolitano R$ 50,00 para conseguir a liberação do óbito do pai Fermino de Cena.
Outros casos são do ano passado e chegaram do Fórum de Maringá, que recebeu denúncias e encaminhou para a comarca de Sarandi. Existem também queixas de pagamentos de R$ 390,00 para atendimento de uma gestante, outro de R$ 50,00 como taxa de internamento e uma de R$ 3 mil. Esta última foi feita pelo empresário Gilson Alberto Stadler. Todos os atendimentos foram feitos pelo SUS.
À Folha, Stadler disse que pagou para garantir o atendimento ao seu funcionário Santino Caetano da Silva, que no ano passado sofreu um acidente de trabalho. A pressão foi tanta que deixei um cheque no valor de R$ 3 mil, conta o empresário. Segundo Stadler, mesmo depois da reclamação feita na ocasião contra o hospital o cheque, que ele sustou, foi depositado.
A promotora Mônica informou que indiciou todos os sócios-proprietários porque partiu do pressuposto de que os donos do hospital deveriam ter conhecimento da cobrança indevida. Nos casos em que os reclamantes conseguiram identificar funcionários e médicos, também incluímos os nomes devidos, disse. Para o delegado de Sarandi José Aparecido Jacovós, que irá indiciar todos os envolvidos e atendeu ontem um dos diretores do hospital, o crime de concussão é considerado de natureza grave. O diretor do Hospital Metropolitano, Carlos Alberto Ferri, não quis fazer nenhuma declaração à Folha. Ele disse que iria se reunir com os demais diretores para se inteirar do assunto e poder falar à imprensa.Pedido de inquérito policial foi feito pelo Ministério Público, com base em denúncias de cobrança no atendimento pelo SUS
Marcos NegriniInvestigaçãoO Hospital Metropolitano enfrenta quatro inquéritos: acusação de cobrança indevida de pacientes do SUS





