A Polícia de Umuarama investiga uma quadrilha especializada em fraudar o seguro obrigatório sobre veículos automotores, o DPVAT. A quadrilha, formada por quatro ou cinco pessoas, seria responsável pela maioria dos golpes contra o seguro descobertos até agora na região. Uma auditoria feita pela Fundação Nacional des Seguros apurou mais de 60 processos falsos envolvendo o seguro obrigatório na região.
O delegado-adjunto de Umuarama, Osmar Dechichi, vai ouvir hoje à tarde uma das acusadas de integrar a quadrilha atuando como procuradora das vítimas, Eliana Silvana de Souza. Eliana e o médico Francisco Bustelo são os únicos nomes divulgados até agora pela polícia. Os demais envolvidos são mantidos sob sigilo.
Eliana e Bustelo são acusados de falsificar documentos para reembolsar despesas médicas em nome de Jurandir Rodrigues da Costa, por um tratamento que o acidentado não fez. Bustelo assinou o laudo falso. Ambos vão ser indiciados por estelionato. O delegado informou que recebeu denúncia de mais dois golpes, devendo instaurar inquéritos semana que vem para apurar.
Uma das denúncias foi feita por um homem que teria sido procurado pela ‘‘máfia do seguro’’ para emprestar seus documentos e ‘‘figurar’’ como morto num acidente de trânsito com a promessa de que receberia R$ 200,00. Segundo o delegado, o homem não recebeu o pagamento e por isso denunciou os golpistas.
O Ministério Público do Paraná designou o promotor Vilmar Antônio Fonseca, de Pérola (50 km a oeste de Umuarama), para acompanhar o caso e agilizar as investigações. Fonseca deu 10 dias de prazo para a polícia fazer as investigações que faltam e concluir o inquérito contra Eliana e Bustelo, instaurado em fevereiro deste ano. O promotor aguarda as investigações e a chegada de documentos falsos apresentados em indenizações por acidentes de trânsito pagas por seguradoras de Maringá e do Rio de Janeiro.
O delegado Omar Dechichi informou que o inquérito que apura um dos golpes da máfia do seguro obrigatório ficou muito tempo parado por causa da morte do delegado-adjunto que o presidia, José Leme Pereira. O delegado morreu em maio num acidente de carro. Ele ouviu Bustelo, mas ainda não havia intimado Eliana para depor.
A polícia tem em mãos laudos médicos falsos emitidos por clínicas e hospitais que não existem. A máfia do seguro também falsificou ou adulterou documentos do Instituto Médico-Legal, da Polícia Civil e boletins de ocorrência de acidentes de trânsito da Polícia Militar. Os golpistas incluiam mortos e feridos em boletins de acidentes que não tiveram vítimas para receber indenizações. Dechichi disse que ainda não tem indícios sobre a participação de policiais ou outros funcionários públicos nos golpes.
O DPVAT é um seguro obrigatório pago por todos os proprietários de veículos automotores. Qualquer pessoa que tenha sido vítima de acidente de trânsito tem direito a receber indenização.

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