A Polícia Civil de Londrina está investigando a atuação de uma empresa, conhecida como Recoflam, acusada de cometer o ''golpe do empréstimo'' em todo o país. Apenas ontem, mais de 10 pessoas lesadas, inclusive de outros estados, prestaram queixa na 10 Subdivisão Policial. Somente de quatro pessoas, a empresa arrecadou cerca de R$ 27 mil.
De acordo com o delegado responsável pelo inquérito, Marcos Roberto Belinati, não é possível fazer uma estimativa do número de pessoas que podem ter sido prejudicas, nem os valores totais. O golpe estaria acontecendo desde 2002. Há cerca de um mês o primeiro inquérito foi aberto. ''Eles negam o golpe e alegam que faziam um plano de cota de participação, o que chamam de plano programado de crédito.''
Segundo o delegado, a empresa agia de duas formas. A primeira oferecendo empréstimos, através de anúncios em jornais e TVs de circulação nacional, mediante pagamento de uma taxa ou ''seguro'' de, pelo menos, 4,5% do valor solicitado. Ainda de acordo com Belinati, depois que essa taxa era depositada na conta da empresa, as pessoas ''sumiam'' e o solicitante ficava sem o empréstimo e sem o dinheiro do ''seguro''.
A outra forma do golpe, relatou Belinati, era através de um consórcio de caminhão. As pessoas tinham que pagar uma parcela de seguro para receber o caminhão e a partir daí começar a abater as parcelas do consórcio. Ele disse que irá representar pela prisão preventiva de sete diretores da empresa, indiciados por estelionato.
Uma das vítimas que registrou queixa é a auxiliar administrativa Benedita Marilda Pereira Fé, de 24 anos. Moradora do Jardim União da Vitória II (zona sul de Londrina), fez empréstimo de R$ 2 mil em outubro para poder construir uma casa e pagou a primeira parcela de R$ 42,62. No final do ano passado, prazo para recebimento do dinheiro, ela contatou a empresa e foi informada que faltava a resposta da seguradora. Ontem, ela esteve na delegacia e cercou os representantes da empresa. ''Tirei o dinheiro da boca dos meus filhos.''
A promotora de eventos de Florianópolis (SC), Sinova Vaz, veio a Londrina, depois de perder cerca de R$ 10 mil, para tentar um ''acordo'' com a empresa. ''Fui lá ontem (anteontem), mas os responsáveis não apareceram, só estavam duas telefonistas'', disse. A doméstica Márcia Conceição de Souza, de Arapoti (149 km ao sul de Jacarezinho), também prestou queixa depois de perder R$ 6,6 mil. ''Era a herança do pai do meu marido. A gente veio para Londrina, viu o caminhão, fez o pagamento pessoalmente. Quando começamos a cobrar, fomos ameaçados'', disse.

mockup