Londrinenses que confiaram na empresa RecuperaCred para dar entrada ao pedido de devolução do imposto compulsório sobre os combustíveis estão procurando a polícia para registrar queixa contra o que está sendo chamado de ''golpe do compulsório''. A empresa, que funcionava na Rua Santa Catarina, 50, sala 304, fechou há mais de uma semana e os proprietários desapareceram sem fazer nenhum tipo de comunicação aos clientes. Pelo menos duas queixas foram registradas ontem na 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina e uma terceira deve ser apresentada ainda hoje.
O policial militar Valdir Francisco Domingos foi uma das vítimas a apresentar queixa. Segundo ele, há cerca de três meses ouviu um anúncio sobre a empresa em uma rádioe decidiu procurar seus direitos. ''Assinei todos os documentos, inclusive uma procuração para que a empresa pudesse receber a devolução do compulsório. Eles me falaram que em oito meses eu receberia cerca de R$ 900,00'', contou.
Segundo o PM, esta semana resolveu procurar a empresa para saber como andava o processo. Não conseguiu contato pelo telefone. ''Aí resolvi ir até lá. Quando cheguei, a porta estava fechada e um dos vizinhos me disse que fazia mais de uma semana que não tinha ninguém trabalhando ali.''
Com a dona-de-casa Ofélia Martins, 73 anos, aconteceu a mesma coisa. Segundo ela, há cinco meses, depois de também ouvir o anúncio na rádio, procurou a empresa. ''Fui atrás do valor que teria direito por meu carro e eles descobriram que o meu marido, já falecido, também tinha direito à restituição'', contou. Ela disse que também assinou procurações para a empresa.
''Um tempo depois, insatisfeia porque eles não tinham me dado nenhum tipo de recibo, liguei e eles me mandaram um papel impresso por computador''. Há 15 dias, Ofélia voltou a procurar a empresa por telefone e constatou que estava desligado. ''Fui até lá e encontrei a porta fechada. Eles vão acabar recebendo o meu dinheiro e eu vou ficar a ver navios'', lamentou.
Segundo o delegado do 1º distrito policial, Marcos Belinati, será aberto um inquérito policial. De acordo com ele, quanto mais vítimas registraram queixa, melhor para embasar o golpe. ''Parece que são pessoas de fora que vieram a Londrina para aplicar um golpe e sumir. Vamos investigar e tentar chegar aos autores'', afirmou. O delegado acredita que, com o boletim de ocorrência e a assistência de um advogado de confiança, talvez o pagamento do compulsório aos golpistas possa ser bloqueado.
A Folha foi até o endereço da empresa e constatou que o local está fechado. O telefone também não atendeu. Também tentou entrar em contato com o Detran, mas ficou 15 minutos na espera do telefone 0800-6437373 sem que tenha sido atendida.

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