As polícias de Mamborê (36 km a oeste de Campo Mourão) e de Mato Rico (50 km a oeste de Pitanga) estão investigando dois casos pitorescos de supostas fraudes contra o INSS. Em Mato Rico, a acusação é contra a dona de casa Anita Batista Boiko, que atualmente mora em lugar ignorado pela polícia. Ela é acusada de ter feito uma certidão de óbito falsa do ex-marido, o agricultor Horácio Boiko, para receber pensão.
O caso só começou a ser apurado esta semana, quando Boiko morreu de verdade. Ele morava sozinho numa chácara e foi encontrado morto na sexta-feira, com um corte no pescoço. ‘‘Foi um assassinato estranho’’, afirmou o delegado de Mato Rico, Antenor Nascimento. Ele se impressionou com a falta de sangue no local do crime, apesar da violência da morte. Até ontem à tarde, a polícia não tinha nenhuma pista do assassino nem da arma do crime.
O delegado também se declarou surpreso com a certidão de óbito que dizia que Boiko havia morrido em dezembro de 1988. ‘‘A certidão estava junto com os documentos dele’’, contou Nascimento. Segundo as primeiras informações obtidas pela polícia, o óbito falso foi pedido por Anita num cartório de Pitanga. ‘‘Horácio ficou sabendo da certidão de óbito e requereu uma segunda via no cartório’’, explicou o delegado.
Apesar de intrigado, Nascimento ainda não abriu inquérito a respeito. ‘‘Vou falar antes com o promotor e o juiz de Pitanga para ver que procedimento tomar’’. O caso de Mamborê tem algumas semelhanças, mas a fraude não chegou a se concretizar. A dona de casa Joanita Sampaio de Souza, 55 anos, está sendo acusada de tentar mudar seu nome para Severina Conceição da Silva, que foi a esposa legítima de Eduardo Gabriel da Silva, falecido no ano passado, aos 48 anos.
De acordo com o delegado de Mamborê, Laércio Cardoso Fahur, Joanita viveu com Eduardo durante 11 anos, chegou a ter dois filhos com ele e estava tentando mudar de nome para conseguir receber a pensão. ‘‘A história de Joanita não convenceu desde que ela tentou obter uma nova identidade, há três meses’’, disse o delegado. A polícia investigou e descobriu que a verdadeira Severina, de 57 anos, mora hoje em Almirante Tamandaré. Joanita vai responder processo por falsidade ideológica e falsificação de documentos.

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