Polícia investiga fraude na Unioeste
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sexta-feira, 11 de julho de 2003
Mariana Guerin<br>Equipe da Folha 
Cascavel - O reitor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Wilson Iscuissati, poderá ser afastado do cargo caso as denúncias de desvio de dinheiro público da universidade, por meio de fraudes no Hospital Universitário (HU) de Cascavel, sejam confirmadas. Os desvios teriam acontecido desde novembro do ano passado até junho deste ano, quando ocorreu a troca da direção administrativa do HU. Segundo as denúncias, o endividamento do HU estaria hoje em R$ 1,2 milhão, com os desvios sendo responsáveis por cerca de R$ 500 mil da dívida.
Na última terça-feira, a administradora hospitalar Raquel de Araújo Grigoli, afirmou em depoimento à 15 Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel, ter sido pressionada a participar de uma armação para fraudar o hospital. Raquel disse que foi procurada por um casal, cerca de dois meses depois de assumir o cargo de diretora administrativa do HU. De acordo com ela, a dupla afirmava estar agindo a mando do reitor da Unioeste, Wilson Iscuissati, para viabilizar um modo de desviar dinheiro do HU. Ainda segundo Raquel, a mulher chegou a apresentar notas fiscais de materiais hospitalares que nunca seriam entregues e cujos pagamentos deveriam ser efetuados de qualquer forma.
No depoimento, a administradora contou que, por medo de ser exonerada, dispensou processos licitatórios e utilizou diretamente os recursos orçamentários da Unioeste. Nessa época, Raquel teria procurada por Iscuissati, que a orientou a redigir um ofício à reitoria da universidade, solicitando o remanejamento de recursos, sob alegação de insuficiência em virtude do final de ano e da transição de orçamento.
O delegado José Tadeu Bello apreendeu três computadores e vários documentos que estão sendo analisados pela polícia e pelo Ministério Público. Segundo a promotora Andréa Simone Frios, já foram ouvidas seis pessoas, em sua maioria trabalhadores do hospital. ''Já existem provas concretas e temos ainda a apreensão de computadores e documentos. Tudo indica que as denúncias estão fechando'', disse a promotora.
O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Adair Rizzi, disse que, se houverem indícios que comprometam o reitor, ele será afastado. ''Esperamos a documentação que possa motivar medidas administrativas. Com ela, faremos um estudo em conjunto com a Procuradoria do Estado, a fim de definir as providências a serem tomadas'', relatou. Rizi ressaltou que se as denúncias forem verdadeiras, as medidas serão severas.
A Folha tentou ouvir o reitor mas ele não foi encontrado.


