A Polícia Civil está investigando denúncias de desvio de dinheiro do Sindicato dos Empregados em Empresas de Segurança, Vigilância, Transporte de Valores e em Serviços Orgânicos de Segurança de Londrina e região. Segundo uma auditoria interna do próprio sindicato, realizada no ano passado, mais de R$ 36 mil oriundos das mensalidades e das taxas confederativas pagas pelos pouco menos de 900 associados teriam recebido outros destinos ao invés de serem direcionados para benefícios aos profissionais da categoria.
Segundo o delegado do 1º Distrito Policial (DP), Marcelo Sakuma, o presidente do sindicato, Gabriel Trindade, teria feito duas denúncias à polícia. A primeira, registrada em julho do ano passado, dava conta de que um auxiliar administrativo da entidade, com a conivência do tesoureiro, teria desviado os mais de R$ 36 mil. De acordo a denúncia, os funcionários teriam realizado a fraude por meio de falsificações da assinatura do presidente em cheques; depósitos em contas de pessoas sem ligação com a entidade e também em depósitos na conta do sindicato feitos em caixas eletrônicos mas com envelopes vazios.
De acordo com Sakuma, a segunda denúncia, feita em março, apontava que o tesoureiro teria utilizado irregularmente um cheque em nome do sindicato para pagar uma festa realizada numa boate na Zona Norte, em julho de 2002, na semana da eleição para a diretoria da entidade. As despesas teriam passado dos R$ 3 mil.
Segundo o delegado, um membro do sindicato que era de uma chapa concorrente da de Trindade no pleito de dois anos atrás teria afirmado à polícia que o presidente teria participação nas irregularidades denunciadas. ''Todos os envolvidos serão chamados a depôr, inclusive a proprietária da boate'', disse Sakuma.
O Ministério Público recebeu denúncia sobre o assunto e encaminhou o caso para a Polícia Civil. Ontem, Trindade informou que foi feito um rateio entre associados que apoiavam sua chapa para pagar a festa na boate. ''Era uma confraternização. Apenas os (associados) que participaram da festa pagaram. O que acho que aconteceu é que o tesoureiro embolsou a quantia do rateio e pagou a proprietária com um cheque do sindicato'', disse o presidente.
Trindade negou que tivesse participação nas fraudes. ''Logo que soube das irregularidades, tomei providências, tanto que fui à polícia duas vezes. Ninguém mais do que eu deseja que o caso seja esclarecido'', afirmou. Segundo o presidente, o sindicato arrecada mensalmente mais de R$ 17 mil em mensalidades e taxas confederativas. O tesoureiro suspeito de participação no esquema teria sido expulso do sindicato. No próximo sábado, associados realizarão assembléia para discutir as denúncias.

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