Peritos do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil de Londrina foram na manhã de ontem para Arapuã (180 km ao sul), onde começaram a recolher materiais e investigar as causas do acidente com uma torre de Furnas Centrais Elétricas, que matou três operários e feriu outros 8 na tarde de anteontem.
O delegado do IC, Luciano Burcharles, que coordena a investigação, disse estranhar que dois acidentes parecidos tenham ocorrido no mesmo local em menos de um mês. Por isto, os peritos trabalham para confirmar a hipótese de falta de segurança no trabalho. No acidente de 20 de janeiro, parte de uma outratorre - a cerca de 5 km da que desabou anteontem - caiu matando também três operários.
No penúltimo acidente, os trabalhadores caíram de uma altura superior a 50 metros. No de anteontem, a torre caiu sobre os operários e matou Edson Batista, José da Silva e Luiz Gonzalo Barbosa. Edson Batista morreu a caminho do hospital; enquanto que os outros dois morreram instantaneamente presos à ferragem.
Na manhã de ontem, cinco dos oito operários feridos já haviam recebido alta do Hospital e Maternidade de Ivaiporã, onde foram atendidos. Permanecem internados Lúcio da Silva, em estado grave, Pedro Marques Soares, que teve amputadas as duas pernas, e Genildo José Nascimento, que perdeu um pé no acidente.
Inquérito aberto pela Polícia Civil de Ivaiporã para investigar as circunstâncias em que aconteceu a queda da torre e apurar responsabilidades está sendo presidido pelo delegado Aparecido Antonio Gregório. O Boletim de Ocorrência de abertura do inquérito relata que a base de reforço que dava sustentação à torre cedeu, causando a queda da estrutura metálica de 54 metros de altura.
O desabamento transformou a torre num amontoado de ferros retorcidos. Ela é uma das 11 últimas torres que faltam ser instaladas para completar a terceira linha do sistema de transmissão do Sistema de Itaipu, no trecho de Foz do Iguaçu a Ivaiporã, que conta com 470 torres erguidas nos últimos meses. Os seis operários mortos nos dois acidentes trabalhavam para a empreiteira Nativa, do Rio de Janeiro, e que tem filial em Cafelândia do Oeste.
Os trabalhos da equipe de operários da Nativa na região de Ivaiporã estão sob supervisão e responsabilidade do engenheiro de Furnas, Márcio William Ferreira, que esteve na área nos últimos dias. Ele explicou que uma equipe de 20 homens trabalhavam na base da torre - trocando peças para reforço da estrutura - no momento do acidente.
O engenheiro disse que ainda não houve tempo e nem condições técnicas para definir se o desabamento foi provocado porque a base de apoio cedeu ou em função dos fortes ventos que passaram pelo local. Márcio Ferreira afirmou que as obras de reforço da estrutura estão sendo realizadas pela equipe da Nativa justamente para tentar evitar novos desabamentos de torres.
Segundo ele, a equipe da empreiteira é muito experiente neste tipo de obra. O engenheiro de Furnas descartou qualquer ligação dos últimos dois acidentes com sabotagem ou as tentativas de explosão ocorridas contra torres da companhia de energia elétrica no ano passado. Os operários feridos anteontem e o diretor clínico do Hospital de Ivaiporã, Orlando Sanches, foram orientados pela empreiteira Nativa a não conceder entrevistas à imprensa.Odair StraliottiTragédiaTorre de 54 metros se transformou em um amontoado de ferros retorcidos: segundo acidente no localLuciane Tonon e Osmani Costa

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