Maringá - A Polícia Civil vai intimar a partir de hoje 30 empresários e profissionais liberais para esclarecerem um derrame de ofícios falsificados em duas varas cíveis do Fórum de Maringá. As intimações são resultado de um inquérito aberto no ano passado quando a polícia prendeu a advogada Ana Maria Giovanini, de Maringá, acusada de montar ofícios fraudulentos da Justiça para reabilitar créditos de clientes junto ao Serasa.
A polícia informou que os empresários e profissionais serão obrigados a revelar o nome da pessoa contratada para falsificar os ofícios, sob pena de indiciamento em crime de falsidade ideológica.
Segundo a polícia, os prejuízos com o golpe são incalculáveis porque os ofícios foram utilizados para beneficiar empresas em empréstimos, financiamentos, aberturas de crédito e até permissão para concorrência pública. Na 6 Vara Cível de Maringá, foram localizados 20 documentos falsificados e na 1 Vara Cível outros 10 ofícios. Todos os documentos falsos eram usados para limpar nomes em cartórios de protesto e junto ao Serasa.
Uma das empresas identificadas pela polícia como beneficiária do esquema fraudulento, que tinha aberto uma falsa concordata preventiva, conseguiu apagar dos registros mais de R$ 100 mil em cheques sem fundo e títulos protestados. As investigações vão continuar nas outras quatro varas cíveis da comarca.
Quando da prisão da advogada em outubro do ano passado, a polícia encontrou documentos e carimbos falsificados de cartórios e varas cíveis de Maringá e Mandaguaçu. As falsificações incluíram assinaturas de juízes. O caso da advogada foi descoberto porque o Serasa desconfiou de dois ofícios e pediu confirmação dos documentos na Vara Cível de Mandaguaçu. Nos ofícios, a advogada ''exagerou'' na fraude e acabou reconhecendo firma da assinatura da juíza da comarca. O procedimento foge do padrão das regras judiciais.

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