A polícia civil de Guaraniaçu (67 km de Cascavel) instaurou ontem inquérito para investigar a detenção, sob ameaça de um revólver, de uma equipe da Rede Globo, na semana passada, que foi fazer uma reportagem sobre agiotagem na cidade. Com uma câmara escondida, a equipe flagrou uma pessoa fazendo um empréstimo com o empresário Edson Sandri e no momento das negociações, a repórter Helena de Gramont tentou entrar no escritório para reportar o fato.
O empresário não permitiu que a equipe entrasse e, diante da insistência dos jornalistas, fez ameaças com um revólver e obrigou a equipe a entregar a ele a fita gravada sobre o flagra.
A denúncia só chegou ao conhecimento das autoridades de Guaraniaçu na noite de domingo, durante o programa Fantástico. ‘‘A notícia nos causou surpresa porque não fomos procurados por nenhuma das vítimas e nem pela própria imprensa envolvida’’, disse o promotor Eduardo Augusto Cabrini. Na opinião dele, a impressão que o telespectador teve, quando assistiu a reportagem, foi de que em Guaraniaçu as autoridades sabem de casos de agiotagem e não fazem nada. ‘‘Como eu iria saber deste ocorrido, se ninguém nos procurou?’’, indagou.
Segundo Augusto Cabrini, o inquérito deverá investigar dois ou três tipos de crime contra o empresário. Um sobre usura da economia popular (agiotagem), outro sobre constrangimento ilegal (por Edson ter obrigado a equipe a entregar a fita), e um terceiro ainda sobre o possível porte ilegal de armas.
O delegado de Guaraniaçu, Agostinho Morbach, também só ficou sabendo do fato através da televisão. Ele disse que este não é um problema comum na cidade. Em um período de pelo menos dois anos, houve uma queixa sobre usura e duplicata simulada. ‘‘Eu desconheço que o município tenham um alto índice de agiotagem, como foi mostrado’’.
Já o prefeito Luiz Moraes de Lesus (PFL) se diz constrangido pelo fato, uma vez que a imagem do município foi denegrida. ‘‘A cidade não tem a imagem que foi transmitida. Nossa economia é agropecuária e o povo é muito trabalhador e receptível’’, afirmou.
Ele, porém, concorda que o empresário não deveria ter agido da forma como agiu, sacando uma arma. O município tem 20,6 mil habitantes. ‘‘Se existe agiotagem é de um índice comum como em todo lugar’’.
AFolhanão encontrou Edson Sandri para uma entrevista. Porém, o irmão dele, Jocerli Sandri, informou que o irmão só agiu daquela maneira pela insistência da equipe de reportagem em querer invadir o escritório dele. ‘‘É um escritório particular, ninguém tem direito de entrar sem permissão’’, disse.
Segundo Jocerli, Edson é proprietário de uma transportadora e há mais de 20 anos ele e a família trabalham no município e nunca tiveram problemas. ‘‘Edson é bem conhecido na comunidade e ninguém tem nada para reclamar dele. Ele só errou de ter sacado uma arma, mas tenho certeza que foi sob pressão’’, alegou Jocerli. Jocerli não confirmou se o irmão trabalha com empréstimo de dinheiro.

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