Polícia investiga denúncia de racismo em supermercado
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quarta-feira, 21 de março de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
A Polícia Civil de Cascavel começou ontem a investigar um possível caso de racismo acontecido em uma das lojas do supermercado Beal. O trabalhador da construção civil Jocimar Rodrigues da Silva diz ter sido discriminado dentro da loja por ser negro. Ele e a gerente do supermercado, Vilma Barossi, já prestaram depoimento. O delegado da 15ª SDP, Acácio de Azevedo, disse que outras pessoas serão convocadas a depor.
O caso aconteceu no dia 24 de fevereiro, quando o trabalhador fez compras no valor de R$ 70,00. Segundo a versão de Jocimar, ao sair do supermercado percebeu que sua irmã estava no local, e voltou para dentro da loja para conversar com ela. Eu ia pedir para ela levar minhas compras quando um funcionário disse que era para eu sair da loja que estava atrapalhando e pedindo esmolas, conta o trabalhador.
Jocimar da Silva estava vestido com suas roupas de trabalho, por isso, ele acredita que foi confundido com algum mendigo. Ele reclama que os seguranças da loja começaram a empurrá-lo e falar que ele estava desrespeitando os outros clientes. Eles me chutaram e falaram um monte de coisas que não são verdadeiras. Eu sou um trabalhador e nunca roubei nada de ninguém. Eles fizeram isso porque sou negro, completa.
A gerente do supermercado, Vilma Barrosi, disse em seu depoimento que não estava no local no momento em que Jocimar foi retirado da loja e que ficou sabendo do fato através de terceiros. Ela completou que grande parte dos funcionários são mulheres e que ninguém teria força para expulsá-lo. A reportagem da Folha esteve no local e constatou que a segurança é feita por homens.
O advogado de Jocimar, Antônio Tomé, lembrou que ontem foi comemorado o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial e afirmou que este caso não poderia ficar impune. Tomé disse que também vai entrar com uma ação de reparação cível por dano moral contra o Supermercado Beal.


