Polícia investiga denúncia de presos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá As polícias Civil e Militar de Maringá abriram dois procedimentos para verificar a denúncia dos presos Cláudio Roberto Pires e Valdomiro Camargo Ferreira, ambos com 32 anos, apontados como vítimas de tortura de um grupo reservado da PM. Pires e Ferreira foram presos na quarta-feira à noite, em flagrante, por roubo, porte de arma e falsa identidade.
Na delegacia, os dois confirmaram a prática dos crimes e também a resistência à prisão, mas denunciaram que antes de irem para a cadeia foram levados para uma sala do 4º Batalhão da Polícia Militar onde teriam sido espancados por cerca de duas horas seguidas. Ferreira ficou com o rosto desfigurado por causa da agressão. A PM alega que as lesões foram provocadas em razão da resistência dos dois no momento da prisão.
Pires já esteve 14 anos preso na Penitenciária Central do Estado e há um mês estava fora da Colônia Penal Agrícola. Ferreira não tem passagens pela Polícia. Pires foi reconhecido, anteontem, pela comerciante Heidi Maria Johann, 35 anos, como o autor da tentativa de assalto no início deste mês. Heidi levou três tiros quando dois homens numa moto tentaram levar sua bolsa. A comerciante disse que não tem dúvidas de que o autor da ação violenta foi Pires. Ele nega a ocorrência e alega que está em Maringá há apenas 10 dias e que nunca viu a comerciante.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Maringá, Wilson Cláudio da Silva, afirmou que vai analisar a situação dos dois presos para decidir se a comissão acompanha ou não os procedimentos abertos pela Polícia. ''Este tipo de prática (agressão policial) é grave quando envolve gente trabalhadora o que, por enquanto, não é o caso destes dois (Pires e Ferreira) que pelo visto estavam aterrorizando a cidade e resistiram a prisão'', afirmou Silva.


