Polícia investiga denúncia de extorsão envolvendo bolsa-escola
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quarta-feira, 15 de maio de 2002
Chiara Papali Reportagem Local 
A Polícia Civil de Londrina instaurou inquérito e já inicia, hoje, investigações sobre a denúncia de extorsão de parte do bolsa-escola recebido pelos moradores dos assentamentos Santa Fé e Monte Cristo (zona leste). Ontem, o padre César Braga, da Pastoral Carcerária do Centro de Direitos Humanos (CDH), que fez a denúncia ao comando da Polícia Militar na última semana, prestou depoimento na Polícia Civil.
De acordo com o delegado João Eduardo de Carulla, responsável pelo inquérito, mesmo com a denúncia, o padre não identificou autores ou vítimas do crime de extorsão. Vamos buscar as vítimas e os autores através de investigações policiais, afirmou. Carulla disse ainda que se for necessário vai percorrer os assentamentos de casa em casa, ou ainda solicitar uma reunião com os moradores, para identificar as vítimas.
A Folha noticiou, ontem, que o recebimento do bolsa-escola estaria sendo vinculado ao pagamento do barraco dos moradores, independentemente do recebimento de outra remuneração. A venda dos barracos também poderia estar escondendo uma atividade ilegal, a venda de lotes de um assentamento.
É possível que haja um oportunismo de quem vendeu o barraco, afirmou anteontem a secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, que determinou que os moradores dos assentamentos beneficiados pelo programa apresentem nota fiscal e recibo de tudo o que for gasto com o dinheiro do bolsa-escola. Por causa de ameaças de morte, de ter o barraco queimado ou de que ele seja tomado, os moradores não confirmam as denúncias.
O Conselho Tutelar de Londrina está preocupado com a denúncia e disse que vai tomar providências sobre o caso. De acordo com o presidente do segundo Conselho Tutelar, Márcio Antunes, é possível juntar esforços das entidades assistenciais que atuam nos bairros para direcionar as ações de prevenção ao crime de extorsão. Se faz necessária a intervenção da polícia, mas paralelamente a isso estamos propondo a articulação das entidades, que conhecem o cotidiano das pessoas da região, disse.
Ontem, o padre César Braga foi procurado pela Folha, mas não retornou as ligações.


