Polícia investiga crime de ameaça virtual
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quinta-feira, 16 de maio de 2002
Andréa Lombardo Equipe da Folha 
Curitiba - Pela primeira vez em oito anos de carreira, o delegado adjunto do 2º Distrito Policial de Curitiba, Vinicius Martins, está investigando um crime de ameaça virtual, feita pela internet. A vítima seria a fotógrafa Cristiane do Rocio Coutinho Guimarães, 38 anos. Ela acredita que as ameaças foram motivadas por uma entrevista sua concedida a uma emissora de televisão, que foi ao ar no dia 4 de março deste ano. Na entrevista, a fotógrafa revelou que teria sido prejudicada por um erro de uma decisão judicial. Cristiane passou a receber as mensagens em tom ameaçador no dia seguinte.
Nas mensagens, o autor tenta intimidar a fotógrafa dirigindo as ameaças também a seus filhos. A partir de agora, tome cuidado em tudo o que faz da sua vida, o que eu puder fazer para te destruir será feito e você vai se arrepender de ter nascido... Te conheço, sei o que você faz, onde mora, onde sai, seus amigos ... Esses últimos dias vejo que você anda meio desligada em relação ao que se passa perto de sua casa não? Não notou nada diferente? Sei de todos os seus passos... tome cuidado... não só você... mas seus filhos também... Principalmente sua filha loirinha, que é uma que também terei o prazer de ver e fazer sofrer... Vc não sabe com quem mexeu... toda vez que vc for tirar um book, veja se a pessoa não está armada... porque essa pessoa pode ser eu..., diz um dos seis e-mails recebidos por Cristiane.
O delegado Martins diz não ter conhecimento de nenhum caso semelhante no Paraná. Não é um crime comum, mas daqui para frente acredito que vai ser bastante usual, avaliou. O delegado disse que já solicitou à Justiça a quebra de sigilo das informações para que o provedor usado pela fotógrafa possa revelar a origem dos e-mails recebidos. Ele acredita que, com isso, será possível identificar o autor das mensagens. Para a Justiça, segundo Martins, o crime é considerado de pequeno potencial. Por isso, o caso será levado ao Juizado Especial Criminal, e o acusado deverá receber uma pena alternativa.
Mesmo sofrendo ameaças, a fotógrafa Cristiane do Rocio Coutinho está decidida a mover uma ação contra o Estado pedindo indenização que pode variar entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões por danos morais. Ela alega ter sido presa injustamente, acusada de ameaçar uma das testemunhas na morte de seu ex-marido, Antônio Sérgio Ramos Guimarães, em 12 de janeiro de 1995, em Paranaguá, no Litoral do Estado.
Cristiane foi presa em 17 de fevereiro de 1995. Antes disso, seu pai, Norberto Ferreira Coutinho, assumiu a autoria do disparo que resultou na morte do ex-marido. Segundo a fotógrafa, ela e a mãe, Meunas Figueiredo Coutinho, estavam sendo espancadas por Guimarães, quando seu pai atirou atingindo o ex-marido no ombro. Ela relata que ficou presa durante 316 dias e que apesar de ter curso superior não teve direito a prisão especial. Tive que ir à imprensa para limpar meu nome, declarou Cristiane, dizendo-se cansada de ser taxada de ex-presidiária.


