Polícia investiga contratos da Comurb
Érika Pelegrino
De Londrina
O delegado do 4º Distrito Policial de Londrina, Joaquim de Melo, recebeu ontem 14 processos enviados pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, que indicam irregularidades em processos licitatórios da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). O Ministério Público (MP) começou a examinar os documentos da Comurb após concluir, no final de julho, as investigações nos processos licitatórios da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA).
Os 14 processos enviados à polícia têm indícios de irregularidades na documentação das empresas Edificadora Vêneto Ltda. e Sistema-Design, Arquitetura e Urbanismo Ltda. As duas empresas também constam como envolvidas em irregularidades com a AMA. A suspeita, conforme o delegado Joaquim de Melo, é de que os processos da Comurb foram montados com documentação fria.
De acordo com dados existentes na documentação enviada à polícia, a Comurb pagou mais de R$ 1,7 milhão para a Vêneto (R$ 1.511.858,35, referentes à 11 contratos) e para a Sistema (R$ 274 mil, referentes à três processos). Estes valores teriam sido pagos entre os meses de dezembro de 1998 e abril de 1999, com recursos financeiros do Fundo Municipal de Urbanização.
O delegado Joaquim de Melo afirmou à Folha que deverá começar a coletar depoimentos dos envolvidos na próxima semana. Também estão sob investigação policial no 4º Distrito Policial seis processos da AMA envolvendo empresas como a Vêneto, Ecodata, Sistema, Oficina Três Marcos, Londri Areia e o processo que apurou irregularidades na compra de marmitex, totalizando um desvio de R$ 2 milhões dos cofres públicos.
Segundo o delegado Joaquim de Melo, as investigações sobre o caso da AMA estão ocorrendo sob sigilo desde a semana passada, quando começaram a ser coletados os depoimentos. Cinco pessoas já foram ouvidas. O delegado justificou que o sigilo é necessário para que as investigações em andamento não caiam em domínio público e prejudiquem os trabalhos.
Joaquim de Melo disse também que que os depoentes são pessoas que não querem ver seus nomes expostos através dos meios de comunicação. Porém, ratificou que o sigilo não visa favorecer os envolvidos. Assim que não houver mais riscos para as investigações, de acordo com o delegado, o processo volta a ser público.
Ele adiantou que as investigações policiais referentes aos contratos com indícios de irregularidades da Comurb também deverão transcorrer sob sigilo. Outros processos envolvendo a companhia deverão chegar ao 4º DP, já que na última sexta-feira os promotores Bruno Galatti e Claudio Esteves, de posse de mandado judicial, recolheram do órgão dezenas de documentos referentes a processos licitatórios envolvendo pelo menos 25 empresas.





