Passaportes podem estar sendo ilegalmente comercializados em Londrina. A denúncia está sendo investigada pelo delegado do 1º Distrito Policial, Marcos Belinati. Ontem, ele apresentou documentos apreendidos no escritório do agenciador Juarez Ricardo dos Santos, 46 anos, suspeito de enviar brasileiros para trabalhar ilegalmente no exterior.
Entre o material apreendido estavam um passaporte, formulários, cópias de identidades e uma carteira internacional de estudante. ''Dias atrás recebemos um passaporte suspeito de uma pessoa com antecedentes criminais. A mesma pessoa da foto estava em outro documento apreendido no escritório do Juarez, só que com nome diferente. O curioso é que a carteira estudantil deveria ter uma foto digitalizada e está com o espaço em branco'', explicou Belinati. Ele está investigando cinco agências de turismo e três agenciadores da cidade e região.
Santos não estava em seu escritório, localizado na área central de Londrina, no momento da apreensão. Belinati disse que contactou o proprietário por telefone e mesmo assim ele não apareceu. Como estava com um mandado de busca e apreensão, o delegado solicitou um chaveiro para abrir a sala. Entre os documentos encontrados estava um crachá em que Santos é apontado como funcionário de uma das agências investigadas.
A Folha conversou com Santos por telefone, que negou qualquer envolvimento com trabalho ilegal no exterior ou falsificação de documentos. ''Trabalho há cinco anos como agenciador e nunca mandei ninguém à Inglaterra (país de onde diversos brasileiros foram deportados). O que faço apenas é assessorar interessados e intermediar a compra de passagens'', argumentou.
Sobre o passaporte, ele garantiu que não haveria irregularidades. ''O passaporte apreendido foi o meu e ele está legal. Não sei nem usar computador direito, como poderia falsificar um documento desses?'', questionou. Ele disse que chegou a trabalhar em uma das agências investigadas, mas que atualmente vive como free-lancer (autônomo). Ele afirmou também que aguarda ser convocado oficialmente pela polícia para qualquer esclarecimento necessário.
Belinati disse que dará sequência às investigações baseadas nas denúncias sobre comércio ilegal de passaporte e falsificação de documentos que recebeu. As informações apontariam até mesmo uma ''tabela de preços'' para a obtenção de documentos. ''Um visto americano valeria US$ 2 mil. Já o passaporte vermelho, emitido pela Itália e válido para qualquer país do mundo, custaria US$ 5 mil. As informações são ricas em detalhes e serão verificadas'', afirmou o delegado. Ele irá encaminhar os documentos para peritos da Polícia Federal.

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