Polícia investiga adoção irregular
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segunda-feira, 02 de junho de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Grávidas em situação de risco, que vivem na rua e geralmente são usuárias de drogas. Esse é o perfil das mulheres, moradoras da região de Arapongas (Norte), que, segundo o Conselho Tutelar da cidade, procuram famílias de classe média para ''vender'' seus filhos. Num intervalo de três anos, o órgão registrou pelo menos oito suspeitas de adoção irregular.
Um inquérito policial instaurado há duas semanas investiga o caso de uma mãe que deu entrada, no último dia 15, na Santa Casa de Arapongas. Ela usou um nome falso e, segundo a polícia, iria entregar o filho a uma brasileira que vive na Inglaterra. A ação só não foi concluída porque a mulher morreu em decorrência de complicações durante o parto.
De acordo com o delegado de Arapongas, Italo Biancardi Neto, uma moradora de Apucarana de 36 anos teria sido levada até o hospital de Arapongas por uma enfermeira aposentada, acusada de ser a intermediadora da adoção ilegal. A moradora apresentou documentos em nome da brasileira que reside na Inglaterra. ''A enfermeira aposentada providenciou todos os documentos e preencheu todo o cadastro no hospital para a moradora de Apucarana. Com certeza elas pensaram em procurar um hospital de outra cidade para facilitar o crime e ninguém identificá-las, porque as duas moravam em Apucarana e se procurassem um hospital de lá, poderiam ser reconhecidas'', comentou o delegado.
A verdadeira identidade só foi revelada quando a família foi até o hospital para providenciar o atestado de óbito da mulher, que sofria de anemia e morreu por complicações no parto. ''Todos indícios nos apontam que ela entregaria a criança, mas a família dela não tinha conhecimento disso. Ela era de uma família bastante humilde e estava reatando o relacionamento com o ex-marido, com o qual já tinha três filhos biológicos. Alguns comentários também nos levam a acreditar que ela receberia uma quantia em dinheiro pela entrega do bebê, mas até o momento não ficamos sabemos de valores específicos'', disse o delegado.
Ainda segundo Biancardi Neto, para o inquérito ser concluído a polícia ainda precisa ouvir a mulher que reside na Inglaterra e que deve voltar ao Brasil esta semana. ''Tanto ela como a enfermeira estão sendo acusadas de tentativa ilegal de adoção e o crime se agrava pelo fato de existir também a tentativa de enviar essa criança para o exterior. A pena é de quatro a seis anos, mas é possível que as duas cumpram a pena em liberdade'', disse.
O presidente do Conselho Tutelar de Arapongas, Júlio César Luis, disse que a criança foi encaminhada para um abrigo e ficará à disposição da Justiça para adoção.


