Londrina

Mário CésarAção reprovadaAmostras usadas em trabalho escolar são apreendidas: intervenção policial assustou estudantesA apresentação de um trabalho sobre drogas, anteontem pela manhã, no Colégio Estadual Marcelino Champagnat, foi bruscamente interrompida por policiais civis. Eles deram três minutos para a equipe de alunos responsáveis pelo trabalho devolver os cartazes emprestados pela 10ª Subdivisão Policial, que traziam amostras de maconha e imitações de cocaína, crack e LSD (ácido lisérgico). A ação policial deixou atônitos os estudantes e os professores que assistiam à apresentação. O colégio fica na área central de Londrina.
‘‘O material estava lacrado e tinha um policial militar conosco o tempo todo’’, reclama a aluna Andrea Garcia Ledesna, 16 anos, do 2º ano do curso de Contabilidade. Ela explica que a idéia do trabalho era conscientizar os estudantes da escola contra o uso de drogas. Ela e os companheiros ficaram revoltados com a atitude dos policiais, principalmente porque o material havia sido emprestado pela própria 10ª SDP.
Andrea diz que as amostras foram trazidas para a escola por volta das 7h30. Por volta das 9 horas, os policiais entraram na sala onde o trabalho estava sendo apresentado. ‘‘Eles foram bruscos com a gente’’, relata uma das alunas. Os estudantes acreditam que uma mãe de aluno tenha ligado para a Polícia Federal reclamando do trabalho. ‘‘Mas nós só queríamos alertar contra as drogas’’, diz Emerson Carlos Ranieri, 17 anos.
No período da tarde, os policiais trouxeram novamente os cartazes para o Marcelino Champagnat, desta vez sem as amostras de maconha, para que os alunos pudessem terminar a apresentação do trabalho. O fato pode ter prejudicado a apresentação, mas a repercussão da retirada do material deve elevar a nota dos estudantes. ‘‘Temos informação que vamos tirar a nota máxima’’, comenta Emerson Ranieri.
Ao contrário do que os alunos pensavam, não foram policiais federais que interromperam a apresentação, mas sim policiais civis da 10ª SDP. O delegado-adjunto Wanderci Corral Fernandes diz que tudo não passou de um ‘‘mal-entendido’’.
Segundo ele, a Polícia Federal recebeu a informação de que os alunos estavam com grande quantidade de drogas e pediu para que a 10ª SDP verificasse. ‘‘Eu mandei que os policiais fossem lá e trouxessem o material de volta’’, afirma Wanderci Corral Fernandes.
Depois de constatado que tudo não passava de um confusão, o delegado-adjunto da 10ª SDP reteve a amostra de maconha e liberou o restante do material. Wanderci Fernandes esclarece que esse tipo de material é usado justamente para conscientizar as pessoas sobre os malefícios do uso de drogas. ‘‘É algo usado para que as pessoas saibam como são as drogas e aprendam a evitá-las.’’

mockup