Sem meios para atingir os diversos nascedouros sociais da violência, a Polícia Civil de Londrina privilegiou as prisões como estratégia de combate. Em um balanço divulgado esta semana, os crimes contra a vida registrados nos 12 meses do ano passado somaram 135 ocorrências, cinco a menos que os números apurados no ano anterior. Em 2006, por outro lado, 2.338 pessoas foram presas ou apreendidas em flagrante.
  A pesquisa é parte do relatório compilado pelo delegado-adjunto da 10ªSubdivisão Policial, Nélson Águila. Os números apontam que a redução de pouco mais de 3% nos casos de crimes contra pessoas – homicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte) e lesões corporais – sinalizou uma queda menor neste ano em comparação ao que ocorreu nos anos anteriores. Entre 2005 e 2004, por exemplo, a redução das mortes violentas foi de mais de 20%.
  Para Águila, a análise dos números merece ser destacada mas é secundária uma vez que o número anual de vítimas de mortes violentas em Londrina continua alto. ‘‘Não está bom porque foram cento e tantas pessoas que morreram e outras tantas que tiveram a coragem de puxar o gatilho e matar’’, comentou. Por outro lado, o delegado-adjunto lembrou que a Polícia Civil não atua nas principais causas geradoras de violência nem na prevenção imediata. Ele reforçou que à Polícia Civil cabe realizar a ‘‘prevenção mediata’’ – aquela resultado da ação policial pós-comunicação do crime –, instaurando inquérito, esclarecendo a autoria, indiciando os culpados e encaminhando o caso para o Ministério Público. ‘‘Combatemos os problemas, as conseqüências, tentando tornar eficazes nossas ações’’, destacou.
  Águila citou como exemplo a orientação que repassou aos delegados locais para que intensifiquem pedidos de prisões, quando já não houver mais a situação de flagrância, mesmo com as dificuldades de encontrar vagas para presos provisórios. De acordo com ele, em 2006, as 12 delegacias da cidade prenderam 1.168 adultos em flagrante e apreenderam outros 1.170 adolescentes, momentos após eles terem se envolvido em condutas criminosas. A inauguração do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), com 960 novas vagas, deve contribuir para incrementar essa estratégia.
  Em relação aos casos de mortes violentas solucionados, o delegado-adjunto considerou que o trabalho policial foi bem sucedido. O alto índice de resolução nestes tipos de crimes, segundo Águila, reflete o trabalho especializado feito pelo setor de Homicídios. Dos 135 homicídios registrados em 2006, 88 foram esclarecidos e os autores indiciados. Considerando apenas os 15 casos de latrocínio, 11 estão solucionados. Em 2005, a Polícia Civil elucidou 132 das 140 mortes violentas registradas. Bom lembrar que as denúncias anônimas feitas pela população ajudam a suprir a defasagem de pessoal na equipe liderada pelo delegado-operacional Joaquim Melo, formada por apenas dois investigadores e um escrivão.

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