Polícia indicia três por aborto
Três mulheres e seus respectivos namorados estão sendo indiciados em inquérito policial por crime de aborto praticados nos últimos três meses na região de Maringá. Segundo o artigo 126 do Código Penal, eles poderão ser condenados a penas que variam de um a quatro anos de reclusão. Os inquéritos foram abertos pelos delegados Nilson Rodrigues da Silva, de Nova Esperança (35 km a noroeste de Maringá), e José Aparecido Jacovós, de Sarandi (7 km a leste de Maringá).
Dois dos abortos foram provocados pelo medicamento Cytotec, cuja venda é proibida no Brasil por ser abortivo. Uma cartela com oito comprimidos de Cytotec é vendida, segundo apuraram os delegados, a R$ 8,00 em Ciudad del Este, Paraguai. No Paraná, três comprimidos custam R$ 150,00. O medicamento é indicado para úlcera.
No dia 23 de agosto, a estudante Eliane Ledis Cordeiro, 21 anos, deu entrada na UTI do Hospital Metropolitano de Sarandi com hemorragia uterina grave. Os médicos descobriram um comprimido de Cytotec que fora introduzido em sua vagina. À polícia, ela confessou ter tomado mais comprimidos do medicamento. Seu namorado, conhecido apenas por Anderson, e o amigo dele que lhe vendeu o remédio, também conhecido apenas por Adelino, estão sendo procurados e serão indiciados como co-autores do aborto criminoso. O feto de Eliane tinha seis meses de gestação.
Ainda em Sarandi, a dona de casa Livair de Almeida Lima Gimenez, de 33 anos, foi internada na UTI do Metropolitano no dia 24 de junho, também após provocar aborto em feto de dois meses. Ela negou ter tomado o Cytotec, mas a polícia descobriu em sua casa uma poção feita à base de arruda, artemige e aguardente.
Em Nova Esperança, a polícia indiciou a estudante Fatiane Rodrigues Caviquioli, 18 anos, internada no Hospital Nossa Senhora das Graças, no dia 27 de julho, também com crise aguda de hemorragia uterina. No hospital foram descobertos dois comprimidos de Cytotec na vagina dela. Ela confessou à polícia que ingeriu mais dois comprimidos de Cytotec. O noivo Odirlei Ricardo Stevanelli, 21 anos, disse que o casal ficou com medo dos pais dela e, por isso, decidiu provocar o aborto.
Waltdisney Della Maria, 33 anos, confessou ter vendido três comprimidos de Cytotec por R$ 150,00 a Odirlei, que disse à polícia ter recebido mais um comprimido de brinde. O feto de Fatiane tinha três meses de gestação.Marcos NegriniArtigo 126O delegado José Aparecido Jacovós, de Sarandi, explica que o aborto criminoso prevê penas que variam de um a quatro anos de reclusão; mulheres indiciadas já foram liberadas pelos hospitaisMarccio W. Varella





