Polícia indicia pais por assassinato
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segunda-feira, 28 de julho de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
A menina Érika Bianca Silvestre Maia, seis anos, morta devido a lesões cerebrais múltiplas há duas semanas, foi vítima de tortura e crueldade. O padrasto, Rogério Dobrovolski, e a mãe, Hermínia Cleide Silvestre Maia, que espancaram a criança, agora são acusados de assassinato. Essas foram as principais conclusões do delegado de Pinhais, José Carlos Oliveira, que apresentou o resultado da investigação ontem à tarde, no Instituto Médico Legal (IML), em Curitiba.
Pelo crime hediondo, o casal pode ser condenado a até 30 anos de prisão, disse o delegado. No início do inquérito, Dobrovolski e Hermínia haviam sido indiciados por maus tratos, omissão de socorro e abandono. A acusação mudou após Oliveira tomar novo depoimento dos acusados, ouvir as irmãs mais velhas de Érika e testemunhas. Segundo ele, a menina não era deficiente mental e sim vítima de um ódio inexplicável.
O delegado confirmou que Érika passava o dia amarrada. Ele revelou que a menina dormia ao relento, na varanda da casa: Com frio ou não, era assim. Essa confissão foi feita por Hermínia e ratificada por D., 10 anos, e E., 8 anos, suas filhas mais velhas, internadas no Educandário Santa Felicidade com mais três irmãos. Dobrovolski dava gargalhada quando sua amásia batia em Érika e costumava esfregar o pênis no corpo da vítima, informou Oliveira.
O padrasto alegou que só poderia estar endemoniado para fazer coisas como enfiar cocô na garganta de Érika, acrescentou o delegado. Em novo interrogatório, Hermínia teria dito que um pai-de-santo a alertara que a menina viera ao mundo para atormentar a mãe. As agressões supostamente começaram depois dessa consulta espiritual. Oliveira anunciou que vai procurar o pai-de-santo para tirar a história a limpo.
Os últimos 15 minutos de vida e a autópsia de Érika foram gravados pelos policiais. A perícia comprovou que a menina morreu em decorrência de fortes pancadas na cabeça. O casal acusado também admitiu a responsabilidade por hematomas e queimaduras no corpo da criança.


