São José dos Campos – O DER (Departamento de Estradas de Rodagem) frustou ontem a romaria de motoboys de São Paulo, que seguiam em direção ao Santuário Nacional de Aparecida (a 167 km de São Paulo). O acesso dos motociclistas foi barrado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), o que provocou protestos e atos de vandalismo na via Dutra.
Placas de sinalização e telefones de emergência foram destruídos por integrantes do grupo que foram impedidos, em Guarulhos (Grande São Paulo), de seguir para Aparecida.
Os bloqueios na Via Dutra foram repetidos nas rodovias estaduais. A motorromaria, que contava com a participação de 60 mil motoqueiros, conseguiu reunir cerca de 1.000 pessoas na cidade, segundo a Basílica. No ano passado, 50 mil motoqueiros participaram do evento.
O boicote ocorreu porque a Superintendência do DER não autorizou o tráfego em comboio dos romeiros e decidiu barrar o grupo sob a alegação de que causaria acidentes e congestionamentos nas estradas estaduais.
Para impedir a motorromaria a Polícia Rodoviária Estadual montou barreiras nas rodovias Ayrton Senna e Carvalho Pinto. Cerca de 80 policiais rodoviários foram usados na operação.
Desde 98, os participantes usavam a Via Dutra para chegar a Aparecida. Neste ano, a organização do evento alterou o percurso para se livrar da taxa de R$ 29.496 cobrada pela PRF para dar apoio logístico aos participantes.
O presidente da Umab (União dos Motoboys e Afins do Brasil), Aldemir Martins de Freitas, disse que ficou surpreso com o cerco policial montado para impedir a realização da motorromaria.
‘‘Foi uma retaliação absurda a nossa participação no evento. Vários motoboys tiveram suas motos apreendidas e outros levaram multas. Com isso, muitos desistiram de participar do evento’’, disse Freitas.
Freitas afirmou que para chegar a Aparecida teve que abandonar sua moto e viajar em um carro de som que ia para a motorromaria. ‘‘Deixei a minha moto com um amigo e fui no carro de som. Na correria, até a santa que levamos quebrou’’, disse o presidente da Umab, que saiu às 7h da capital e chegou em Aparecida às 10h.
Freitas disse que os romeiros que conseguiram furar o cerco policial, quando chegaram em Aparecida, foram recebidos no estacionamento do Santuário. ‘‘Até a direção da Basílica não nos deu apoio. Ficamos debaixo de chuva em um estacionamento do Santuário, que ainda está em obras’’, disse.
A direção da Basílica informou ontem que não seria contra a motorromaria, mas admitiu que o grupo é desorganizado. Segundo a instituição, a Umab não havia avisado que o evento aconteceria hoje, o que impossibilitou a organização de um programa voltado para atender os participantes.

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