A situação de superlotação no 2º Distrito Policial em Londrina é tão grave que os policiais que dão expediente na unidade fazem vistorias diárias em cada troca de turno e, muitas vezes, durante o horário de trabalho. Desta forma, eles conseguiram frustrar 31 planos de fuga que estavam em andamento ou seriam iniciados pelo mais de 360 presos confinados no espaço construído para 116. Numa conta simples: os presos tentaram uma fuga a cada três dias. No último final de semana, 20 presos conseguiram do 4º DP e 5º DP e apenas quatro foram recapturados até agora.
O delegado titular do 2º DP, Lanevilton Moreira, revelou que a revista diária é a arma mais eficiente para evitar que o DP entre em colapso. Ele disse que as vistorias diárias na carceragem fazem parte da rotina. ''Às vezes, quando apuramos alguma anormalidade, precisamos fazer vistorias extraordinárias'', completou. Ele apontou que 31 ocorrências envolvendo a área da carceragem estavam direta ou indiretamente relacionadas a tentativas de fuga como, por exemplo, apreensões de brocas artesanais, pedaços de serras e buracos nas paredes.
Tanto Moreira quanto o delegado-chefe da 10 Subdivisão, Sérgio Barroso, ressaltaram que as tentativas de fuga tendem a aumentar em Londrina por dois motivos principais: com a aproximação da conclusão do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina, que vai abrigar 960 presos condenados, os que estão nos DPs querem aproveitar a fragilidade na segurança para fugir antes de serem transferidos para um local mais seguro; as festas de final de ano também instigam os presos a tentar escapar.
Barroso frisou que as duas fugas registradas no final de semana serão objeto de investigação para apurar se houve algum tipo de conivência ou negligência por parte dos policiais. Por outro lado, o delegado-chefe citou que no 4º DP não havia registro de fuga nos últimos nove meses e no 5º DP há oito meses. ''Isso indica que estamos trabalhando'', reforçou.
Para ele, a superlotação nos DPs foi controlada mas só será aliviada após a inauguração do CDR, que deverá abrigar preferencialmente os cerca de 580 presos que cumprem pena na PEL, mais 80 já sentenciados que estão na Casa de Custódia e outros 33 condenados que permanecem nos DPs. As carceragens dos distritos deverão ser desativadas e os cerca de 600 presos provisórios abrigados nestes locais deverão seguir para a PEL e CCL. Apenas a carceragem do 2º DP será mantida e deverá receber as presas que estão no 3º DP.

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