Polícia foi desumana, diz padre
Cerca de 40 famílias sem-terra que estavam acampadas na Fazenda Cachoeira, em Sapopema, continuam alojadas no ginásio de esportes da cidade. Ao contrário das desocupações de terra, onde os sem-terra são levados para o local de origem pelo proprietário da fazenda, na operação de sexta-feira as famílias foram deixadas às margens da rodovia.
Segundo o padre Clóvis Almeida, os sem-terra denunciaram que a polícia os tratou com truculência. Dois menores levaram tapas e chutes da polícia. As mulheres disseram que eles as xingavam e ofendiam, falando que era para trocar de maridos que os delas eram frouxos. Teve até uma mulher que, com o bebê recém-nascido, afirmou que os policiais queriam comprar a criança.
Ele afirmou ainda que as crianças foram deixadas debaixo de chuva por várias horas, enquanto os policiais desmontavam as barracas. O padre de Sapopema, Oswaldo Bachega, disse que as famílias perderam quase tudo na retirada da fazenda. Os sem-terra necessitam de roupas e alimentos. A polícia poderia fazer a reintegração de posse, mas durante o dia. Realizar este ato, à noite, e usando a força, é inconcebível. A polícia foi arbitrária, desumana e estúpida.
Hoje, às 15 horas, Bachega realiza uma missa na igreja matriz de Sapopema, seguida de uma caminhada até a delegacia, para protestar contra a atitude da polícia. Enquanto marginais e traficantes ficam soltos pelas ruas e a polícia não faz nada, pais de família que procuram trabalhar a terra ficam presos como marginais. A Folha procurou ontem à tarde o comando da Polícia Militar em Curitiba e a Secretaria de Estado da Segurança Pública para comentar o assunto, mas ninguém foi encontrado. (A.S.)





