Polícia Florestal admite dificuldades para cuidar de Mata
Paulo Ubiratan
De Londrina
A Polícia Florestal de Londrina afirma não ter condições de coibir a caça na Mata dos Godoy (localizada no Patrimônio Regina, a 14 quilômetros do centro de Londrina). Segundo o cabo José Brasilino Sanches Moreira, é impossível impedir esse tipo de crime. Além da mata ser muito grande, os caçadores possuem meios sofisticados para caçar. Eles não são pobres que caçam bichos para sobreviver, disse. Ontem, a Folha mostrou a preocupação de uma equipe da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que encontrou no local várias armadilhas.
O cabo Moreira contou que os caçadores entram na área, matam os animais para depois se vangloriar com amigos comendo carnes sofisticadas. Estes caçadores chegam a contratar observadores com binóculos, que ficam em locais estratégicos cuidando da chegada da fiscalização. Por intermédio de telefones celulares eles avisam os caçadores frente a qualquer contratempo, disse o cabo. No entanto, ele afirma que a mata não está abandonada, como muitos pensam. Para cuidar de 132 municípios, a Polícia Florestal de Londrina possui 52 homens, três viaturas e três barcos.
Conforme o biólogo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vlamir Rocha, na mata é encontrada grande variedade de animais silvestres, inclusive antas que estão sendo mortas por caçadores. Há dois anos, diz o biológo, existiam 40 animais desta espécie e hoje restam apenas 20. Ele pesquisa a Mata dos Godoy há 9 anos. Segundo ele, ela é habitada por catetos (porco-do-mato), pacas e capivaras e animais raríssimos, como gato do mato, a jaguatirica, a onça parda e macacos que também estão em fase de extinção.
Conforme estudos feitos pela UEL, o Paraná possui cerca de 240 espécies de árvores identificadas e, pelo menos, 200 delas podem ser encontradas na Mata dos Godoy. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), responsável pela preservação da área também diz não possuir meios para fazer uma fiscalização efetiva no local.





