A Polícia Federal vai cruzar informações das centrais telefônicas clandestinas desmanchadas em Foz do Iguaçu, Maringá, Cambé (13 km ao oeste de Londrina) e Sarandi (7 km a leste de Maringá) e acionará a Interpool (polícia internacional). O objetivo é descobrir quem são as pessoas que fizeram e receberam os telefonemas descritos nas contas apreendidas, grande parte para o Oriente Médio.
Há suspeitas que o esquema desvendado anteontem em Foz esteja envolvido com centrais no Norte do Paraná. ''Vamos investigar se o grupo está vinculado em outros casos da região'', disse o delegado-chefe da PF, em Foz, Joaquim Cláudio Figueiredo Mesquita. Ele afirmou ser possível existir relação dos telefonemas com atos criminosos, embora considere essa possibilidade pouca provável. ''Esta é uma atividade lucrativa'', resumiu.
Ontem, a polícia divulgou como funcionava a central desmanchada no dia anterior em Foz. Depois de obter um mandado de busca e apreensão expedido pela 3ª Vara Criminal, agentes confirmaram a prática ilegal no Edifício Park, situado na Rua Engenheiro Rebouças, região central da cidade. Foram apreendidos equipamento de PABX, dois aparelhos telefônicos, conectados a quatro linhas.
O proprietário do imóvel, o brasileiro Paulo Cezar Caramori, 26 anos, foi o primeiro a ser preso. Caramori contou ter alugado uma sala da sua residência para os libaneses Muhamad Hassan Arwi, 35 anos, e Armando Nader, porém alegou desconhecer o destino dos telefonemas. Informou ainda o endereço de Muhamad: Rua Engenheiro Rebouças, centro, onde foram apreendidos passaportes e documentos de outras pessoas, além de uma agenda.
Após prestarem depoimento, Caramori e Muhamad foram encaminhados à Cadeia Pública de Três Lagoas. A PF não conseguiu prender o libanês Armando Nader, que estaria em viagem ao Líbano, no Oriente Médio. Os dois detidos foram enquadrados por estelionato e operação de central telefônica clandestina.
As centrais ilegais funcionam para ''baratear'' os telefonemas para o exterior, que são creditados para outros clientes. A prática tem reflexo no Procon. Somente em Foz, por exemplo, existem 52 reclamações de consumidores que receberam contas com ligações de outras pessoas (o número representa 9% do total de denúncias feitas ao órgão).
Fronteira com o Paraguai, Foz do Iguaçu é a segunda maior do Estado com estrangeiros, atrás somente de Curitiba. Londrina, Maringá e Ponta Grossa vem em seguida. Foz possui ainda a segunda maior colônia árabe do Brasil, com mais 10 mil imigrantes e descendentes. As maiores comunidades de estrangeiros no Paraná são, pela ordem, a japonesa, portuguesa, libanesa, paraguaia e alemã.

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