A Polícia Federal (PF) de Londrina prendeu ontem Sandro João Barbosa de Lira (idade não divulgada), suspeito de estelionato. Segundo o delegado Pedro Paulo de Figueiredo, chefe interino da PF na cidade, o detido faria parte de um esquema fraudulento interestadual que teria retirado grande quantia de dinheiro da conta do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), sediado em Brasília.
De acordo com Figueiredo, entre os dias 16 e 22 deste mês foram transferidos via Internet cerca de R$ 2,5 milhões da conta do Confea na Caixa Econômica Federal, sem que a chefia do conselho soubesse ou autorizasse. Nesta semana, a superintendência da Caixa informou à PF que o dinheiro retirado foi transferido em seguida para várias contas, em diferentes estados. Segundo o delegado, a conta de Lira teria recebido duas transferências, totalizando cerca de R$ 340 mil.
''Desse total, o suspeito já tinha transferido cerca de R$ 320 mil para outras contas. Ficamos atentos para detê-lo quando ele tentasse realizar transferências do resto do dinheiro'', comentou Figueiredo. Lira foi detido ontem, na agência da Caixa em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Segundo o delegado, ele relatou à PF que trabalha como representante de um consórcio em Londrina e que os R$ 340 mil em sua conta seriam uma comissão de um contrato. ''Uma comissão tão alta nos causa estranhamento'', disse Figueiredo.
Segundo o delegado, as transferências fraudulentas via Internet a partir da conta do Confea estão sendo investigadas em Brasília. Em Londrina, a PF investigará as contas que teriam recebido dinheiro de Lira. ''É possível que muitas dessas contas sejam frias (com nomes falsos como titular)'', considerou Figueiredo. O inquérito em Londrina será presidido pelo delegado Kandy Takahashi.
De acordo com Figueiredo, informações preliminares levantadas junto à Polícia Civil apontam que Lira já tem passagens por falsidade ideológica e falsificação de documento público. Pela prisão de ontem, ele foi autuado por estelionato qualificado. O crime de estelionato prevê pena de 1 a 5 anos, com acréscimo de um terço desse período quando se configura qualificação, isto é, quando é praticado em detrimento de entidade de direito público.
Figueiredo acredita que o esquema envolva grande número de pessoas e que se trata de uma quadrilha especializada. ''Será uma investigação cheia de minúcias'', opinou o delegado. Segundo hipóteses levantadas pela PF, hackers podem ter obtido a senha da conta do Confea, ou funcionários do próprio conselho ou da Caixa podem estar envolvidos.

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