Quase dois anos após chegarem irregularmente ao Brasil, os 13 vietnamitas que viviam em Cascavel foram extraditados ontem para seu país de origem pela Polícia Federal. Os custos com a viagem cerca de R$ 50 mil foram pagos pelo governo brasileiro. Antes de partirem, eles se despediram dos poucos amigos que fizeram em Cascavel e se emocionaram ao lembrar dos momentos difíceis passados no Brasil.

O ônibus da Polícia Federal chegou na casa onde viviam os vietnamitas por volta das 7 horas da manhã. O grupo que havia sido comunicado no dia anterior já aguardava os policiais com seus passaportes. Três policiais federais acompanharam os vietnamitas até Foz do Iguaçu de onde seguiram à tarde para São Paulo com mais três policiais.

A viagem deveria ter ocorrido há mais de um mês, mas um problema burocrático com a empresa que faria o transporte até o Vietnã dificultou a extradição. De acordo com o delegado da Polícia Federal, Clayton Xavier, a viagem só foi possível porque uma outra empresa, a Lufthansa, aceitou que os vietnamitas fossem escoltados por seis policiais. ''A outra empresa queria mais policiais para garantir a segurança no avião'', explicou.

Um dos policiais que esteve em Cascavel para buscar os vietnamitas, Marcelo Passos, disse que normalmente em casos de extradição, os estrangeiros são levados para o Paraguai, que não coloca obstáculos para suas permanências. Entretanto, nesse caso específico, as pessoas seriam levadas para seu país de origem. ''Eles desembarcarão na cidade de Hoximin, localizada no norte do Vietnã'', afirmou o policial.

Ainda com muitas dificuldades em se expressar na língua portuguesa, Dang Van Tam relatou a decepção que tinha sido a permanência no Brasil. Ele dizia que antes de decidirem tentar a sorte por aqui, o grupo recebeu promessas de muito sucesso e prosperidade no País. ''Nós fomos enganados. Só queria trabalhar, nada mais'', lamenta.

No momento da despedida, uma das mais emocionadas era Fabiane Passos que está grávida de sete meses de um dos vietnamitas e que foi a responsável pela denúncia à Polícia Federal sobre as condições difíceis em que vivia o grupo. ''Tinha muitas esperanças que o pai do meu filho pudesse ficar. Agora não sei como vou ter esse filho. Espero que um dia ele possa voltar'', falou.

O grupo de vietnamitas que a princípio era formado por 15 pessoas (dois fugiram) chegou em fevereiro de 2000 para trabalhar em uma fábrica de macarrão de propriedade do também vietnamita, André Vu. Depois de instalarem as máquinas provenientes do Vietnã, eles começaram a trabalhar. Além disso, sete deles fizeram empréstimos em bancos do Vietnã para comprarem máquinas para a fábrica, tornando-se sócios de Vu.

Os vietnamitas relataram que o empresário pagou apenas quatro meses de salários. Depois, passou a pagar somente o aluguel da casa onde moravam. Para sobreviverem, passaram a contar com a ajuda da comunidade que doava alimentos. Alguns deles chegaram a ser internados em decorrência da falta de alimentação.

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