Polícia Federal é acionada para investigar indícios de sabotagem
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de setembro de 1998
Miriam Karam e Valmir Denardin 
A Polícia Federal de Curitiba foi acionada, ainda na madrugada de ontem, para investigar a queda da torre. Segundo informou o chefe do Departamento de Produção de Furnas, José Maurício Zaroni, por volta das 2 horas, houve o desligamento de uma das duas linhas de transmissão entre Foz do Iguaçu, onde fica a Hidrelétrica de Itaipu, e Ivaiporã.
Como Furnas não conseguia normalizar a situação, uma equipe da subestação de Ivaiporã foi enviada ao local e constatou que uma torre estava no chão. Chovia no momento e os funcionários de Furnas afirmaram ter encontrado restos de pólvora, fios e pavio. Com esses indícios de sabotagem, a PF foi acionada.
Em princípio, de acordo com Zaroni, não haverá corte no fornecimento de energia. As duas linhas de transmissão têm capacidade, cada uma, de 5 mil megawatts. Mas não significa que a outra linha, que permanece em operação, não possa suportar um aumento em sua carga. Deverão faltar entre 1.800 e 2 mil megawatts, disse ele.
Como a equipe que saiu de Curitiba, com seis delegados, só deveria chegar ao local depois das 18 horas, Furnas estava providenciando holofotes para trabalhar à noite. Se a Polícia Federal liberar a área ainda hoje, a recuperação da torre começa a ser feita imediatamente.
Produção reduzida O incidente com a torre obrigou a Hidrelétrica de Itaipu a reduzir sua produção em 25%. Quatro das 18 turbinas foram desligadas e uma passou a girar no vazio - continuou em funcionamento, mas sem a transmissão da energia por ela produzida.
Essa medida foi tomada por precaução, para que o equipamento possa substitutir imediatamente outro que eventualmente venha a apresentar problemas. Estão em funcionamento as nove turbinas que geram energia em 50 hertz (a frequência paraguaia) e cinco das nove que geram em 60 hertz (a frequência brasileira), entre elas a que gira no vazio.
Segundo a Divisão de Imprensa da binacional, a cada momento Itaipu está deixando de enviar aos consumidores 3 mil megawatts de energia, suficientes para abastecer uma cidade de 6 milhões de habitantes (três vezes a Região Metropolitana de Curitiba).


