Polícia fecha e depois reabre ferro-velho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de maio de 2000
Maurício Borges de Apucarana 
Baseada em uma denúncia anônima, a Polícia Militar fechou ontem, por cerca de seis horas, um depósito de motores e peças de carros da Recuperadora Arapongas, localizada próximo à PR-444. Um gerente da empresa e dois funcionários chegaram a ser conduzidos para a delegacia, mas após prestarem esclarecimentos e apresentarem notas fiscais e documentos foram liberados.
A operação foi frustrada porque, através de documentos e com a confirmação da Receita Estadual, a empresa comprovou que todo material era legal. Trata-se de motores e peças de diversos veículos que foram produtos de sinistros, reconheceu o delegado de Arapongas, José Carlos Bassalobre.
Em uma investigação paralela a Polícia Civil também constatou que nenhuma das numerações de chassi e motores era produto de furto ou roubo.
Até as 15 horas de ontem, policiais acreditavam ter descoberto mais um desmanche ilegal de veículos, com base em informações anônimas. Outro detalhe que reforçava a investigação neste sentido era o fato de que a Recuperadora Arapongas é de propriedade da mesma pessoa que teve a loja fechada em Maringá com comprovação de que comercializava material de origem ilícita.
A Folha tentou ouvir ontem no início da noite o proprietário da Recuperadora Arapongas, identificado por funcionários apenas pelo apelido de Pastel, mas seu telefone celular não atendeu à chamada. Um gerente que não quis se identificar disse que a operação na empresa foi lamentável. Fomos constrangidos indevidamente pelo aparato policial, resumiu.
No local, investigadores encontraram 38 carcaças de automóveis e caminhonetes. O que mais chamou a atenção dos policiais foram algumas peças e motores com aparência de novos. Havia inclusive um motor de uma Chevrolet Silverado, ano 99. Todo o material que ficou sob suspeita e passou a ser investigado foi avaliado em cerca de R$ 120 mil pela Polícia Civil.
A Polícia Militar de Arapongas, através da P2 (grupo de investigação que trabalha à paisana), tem feito operações constantes em autopeças e ferros-velhos para coibir o comércio de peças e motores de carros roubados.


