Polícia fecha desmanche e apreende peças
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de julho de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Civil fechou na madrugada de ontem um barracão onde supostamente eram realizados desmanches de carros furtados. O barracão pertencia à oficina Vilcar, que fica na Vila Ipiranga e funcionava há dois anos na periferia de Curitiba. No barracão foram encontradas várias peças de automóvel que estão sendo periciadas pelo Instituto de Criminalística.
O local do possível desmanche foi localizado por acaso. Patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal faziam uma ronda na BR-116 quando avistaram uma kombi modelo 1996, placas CFC-6029, de São Paulo, parada no acostamento. Ao se aproximarem do veículo, perceberam que peças de carro estavam sendo lançadas de dentro da kombi. Foram apreendidos motor, painel, cinco rodas com pneus, caixa de câmbio, 5,5 mil parafusos, duas barras de homocinética, quatros colunas de amortecedor, peças de lataria em geral, jogo de pára-brisas, escapamento completo, bancos, filtros de ar, retrovisores internos e externos, faróis e lanternas. Alexandro Pacheco, 25 anos, e Luiz Alberto Hengel, 36, que estavam no veículo, foram presos. Eles vão responder por receptação de produtos furtados e adulteração de sinal identificador de veículo.
As peças que foram encontradas dentro da kombi pertenciam a um Fiat Uno placas AGL-5485, furtado na manhã do último sábado. ''A prática desse tipo de delito é muito comum. Os receptadores compram um Uno Fiat em leilão e furtam outro igual para completar as peças danificadas. Em seguida, eles legalizam o Fiat Uno com notas frias no Detran e rodam normalmente com os carros'', contou o superintendente Neimir Cristovão, da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos.
Para evitar esse tipo de crime, a delegacia está fotografando e credenciando todos os veículos vendidos em leilão. Eles são bloqueados e somente podem ser liberados para trafegar após inspeção da própria delegacia. ''Com isso iremos inibir as fraudes'', disse otimista. Atualmente são realizados entre quatro e cinco leilões de veículos sinistrados por mês. Entre 80 e 90 carros por leilão. Somente nos cadastros da delegacia, existem hoje 500 veículos bloqueados no Estado.
Entrevistado pela Folha, Pacheco contou que encontrou o Fiat Uno numa praça perto da oficina. Percebeu que era furtado, mas resolveu aproveitar as peças do carro num outro carro que estava na oficina, da qual é sócio. ''Foi a primeira vez que fiz isso. Estava fácil'', afirmou, se dizendo arrependido. Ele assumiu sozinho a autoria do crime. Hengel declarou que nada sabia sobre o desmanche de carros na oficina. ''Estava na kombi por acaso. Não sabia que haviam peças ali'', afirmou.


