Dorico da SilvaFim de festaMães e menores prestam depoimento na delegacia: R$ 50 por programa O delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Valdir Abrahão da Silva, fechou na noite de anteontem uma casa de prostituição na rua Ermelino Leão, 346, na Vila Portuguesa (área central). A casa vinha sendo frequentada por meninas com 15, 16 e 17 anos. As meninas são de Jataizinho e pertencem a famílias pobres. A proprietária da residência, Eva Silveira da Silva, 54 anos, foi autuada em flagrante por favorecimento à prostituição.
As menores foram contratadas para trabalhar na casa de Eva por Sandra Soares Marques quando telefonavam de um orelhão em frente à 10ª Subdivisão Policial. Sandra, de 21 anos, também foi autuada por favorecer a prostituição de menores.
A menina de 16 anos contou que quando ela e as amigas foram abordadas no orelhão, estavam tentando falar com uma família para se empregarem como domésticas. A menor garante que as promessas de ‘‘vida rica e mansa’’ lhe encheram os olhos’’. As menores contaram que ao chegar na casa foram instruídas por Eva a se esconder caso chegasse a polícia.
No momento em que os policiais invadiram a casa, Eva alegou estar passando mal, foi levada à Santa Casa e liberada após atendimento. Ela voltou a dizer que estava passando mal no momento em que prestava depoimento na 10ª SDP, sendo levada ao Evangélico, onde ficou internada.
Segundo os vizinhos, a casa da acusada era sempre frequentada por meninas de pouca idade. Lá havia três quartos para encontros, um bar com as mais variadas marcas de bebidas e piscina. As menores e outras duas mulheres maiores de idade foram flagradas na sala-de-estar oferecendo bebidas aos ‘clientes’. No momento da chegada da polícia, seis homens, na faixa etária entre 30 e 40 anos, preparavam um churrasco. Um deles contou na polícia que estava festejando o nascimento do primeiro filho, ocorrido na mesma noite.
O delegado disse que tomou depoimento dos ‘clientes’ e depois teve que liberá-los. ‘‘A presença deles no local não representa crime e seus depoimentos servirão de provas contra a proprietária da casa de prostituição.’’
Valdir Abrahão disse que eles também não podem ser enquadrados no Estatuto da Criança e do Adolescente porque não achou ‘‘pena específica para casos de adultos estarem com menores em lugar suspeito’’. Sandra e Eva serão enquadradas no Código Penal, que determina penas de 3 a 8 anos de reclusão.
As menores não pareciam nervosas quando prestavam depoimento na delegacia. Com unhas pintadas e roupas de grife, mostravam-se à vontade. Elas também não se inibiram no momento de posar para as fotos. Disseram que ganhavam cerca de R$ 50 por programa e o ‘cliente’ tinha de desembolsar R$ 30 para pagar o quarto.
‘‘A dona Eva nos ensinou que tínhamos que fazer os ‘clientes’ beber antes de irmos para o quarto com eles’’, contou a menina de 15 anos. Ela garantiu que era a mais requisitada entre as suas companheiras. ‘‘Dava para ganhar R$ 150 por dia, trabalhando quatro horas por noite.’’ As menores disseram que não valia a pena trabalhar como doméstica para ganhar salário mínimo. As revelações das meninas foram feitas na frente de suas mães. ‘‘O que a gente pode ensinar para estas meninas se na realidade da vida elas têm razão?’’, disse uma das mães.

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