Em uma megaoperação que durou cerca de quatro horas, 76 homens da Polícia Militar e cerca de 40 da Civil, em mais de 30 viaturas, vasculharam casas dos jardins Nossa Senhora da Paz e Leste-Oeste (zona oeste de Londrina) em busca de drogas, armas, suspeitos e fugitivos. Na ação, a equipe prendeu em flagrante por tráfico de drogas e porte ilegal de arma proibida Júlio Celino dos Santos Filho, de 23 anos, o ''Celo'', considerado pelos policiais um dos principais traficantes da região.
Na casa dele, foram localizados mais de R$ 10 mil em dinheiro, escondidos na caixa metálica do relógio de energia elétrica, 29 papelotes de pasta base de cocaína, estocados dentro de um vídeo-cassete, e uma pistola Magnum 357 (modelo Rossi), de uso exclusivo das Forças Armadas Brasileiras. Na semana passada, segundo o major Devaldir Amadei, da PM, Celo já havia sido autuado por apropriação indébita de objetos.
De acordo com o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, Celo já vinha sendo investigado há algum tempo como sendo um dos principais responsáveis pelo tráfico no oeste da cidade. ''Ele nos disse que era servente de pedreiro, mas pela estrutura da casa já se percebe que isso é questionável'', afirmou. O delegado se refere, entre outros bens eletro-eletrônicos apreendidos pela polícia, a um sistema de câmeras interno e externo que identifica qualquer movimentação já a partir da calçada.
O advogado de Celo, Vílson Donizete Galvão, chegou ao local do flagrante logo após os policiais. Ao final, com o cliente já algemado a caminho da 10 SDP, ele afirmou que o dinheiro encontrado era da esposa do indiciado. ''Ela havia recebido de seu chefe para construir uma casa. Já a arma ele comprou para se defender da violência no bairro, mas pensou que fosse uma calibre 38'', justificou. Quanto à droga, Galvão informou que tentará classificá-lo como usuário, o que reduziria a pena.
Antes do Leste-Oeste, a operação se concentrou no Jardim Nossa Senhora da Paz, onde foram efetuadas buscas em diversas casas com mandados oficiais liberados pela Justiça. Ao todo, houve a apreensão de duas armas, um pacote pequeno de maconha (menos de 500 gramas) e uma balança que poderia ser usada para pesar droga. Três pessoas foram indiciadas: A.L.M., 25, por porte ilegal de arma, Z.S.S. e a filha, R.F.S., 14, por tráfico de entorpecente. À noite, o delegado plantonista da 10 , Alan Flore, informou que Z. havia deposto e sido liberada em seguida, já que a adolescente confessara ser a dona da droga.
Esta foi a segunda megaoperação na região, em uma semana, desde que o funcionário da fiação de seda Bratac, Damião dos Santos Ramos, 27, morreu dia 25 de agosto durante um tiroteio entre moradores do bairro e da favela da Rua Pantanal. Segundo o delegado-chefe da Civil, a iniciativa tem sido necessária porque ''ações isoladas nos bairros não estavam sendo suficientes para conter os criminosos''.

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