Curitiba Os moradores da Vila Verde, região carente da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), foram surpreendidos ontem com uma megaoperação das polícias Civil e Militar. Cerca de 150 homens fecharam por volta das 6 horas os acessos da favela e cumpriram 13 mandados de busca e apreensão em locais suspeitos de comercializar entorpecentes. Uma pessoa foi presa com 55 pedras de crack e um carro furtado no último dia 18 foi encontrado abandonado em uma das ruas centrais. Participaram da megaoperação 55 viaturas, dois cães farejadores, Polícia montada, motocicletas e até um helicóptero.
Alguns moradores ficaram assustados e se trancaram dentro de casa. Outros resolveram acompanhar de perto toda a mobilização policial. Foi o caso da dona de casa Maria Delfim da Silva, de 59 anos. Apesar de dizer que se sente segura em sua residência, Maria Delfim reclama do que ela chama de ''malandragem das ruas''. ''A gente fica em casa e tudo está bem. Mas do lado de fora tem muito tráfico, muita briga de gangues e violência'', apontou ela.
Os homicídios, que eram constantes na região, reduziram segundo os relatos dos moradores. O serralheiro Paulo Roberto da Silva, de 55 anos, disse que os homicídios e as brigas entre gangues são cíclicos. ''Tem tempo que as coisas pioram. Tem muita 'piazada' aqui e que está envolvida com drogas e bebidas. A gente procura não se envolver com nada para ter paz'', relatou ele.
A servente Maria Terezinha da Silva, de 51 anos, afirmou que está mais tranquila com a presença da polícia. Normalmente, ela precisa buscar os filhos na escola com medo de brigas e mortes. Maria Terezinha mora na Vila Verde há dez anos e se diz preocupada com os dois filhos e com os netos. ''Fico preocupada e espero sempre meus filhos na escola. Acho que hoje não precisarei fazer o mesmo. Nada vai acontecer enquanto a polícia estiver nas ruas'', disse ela. Parte do comércio não abriu as portas ontem por conta da ação policial.

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