Polícia faz megaoperação na Vila Parolin
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quinta-feira, 05 de maio de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Cautelosos e sorridentes, os moradores da Vila Parolin, em Curitiba, já estão acostumados com a chamada ''Lei do Silêncio''. O bairro é considerado um dos mais violentos de Curitiba por causa da área de invasão, onde vivem cerca de nove mil pessoas. No local, não existem unidades de saúde ou escolas municipais. Os moradores precisam andar um pouco para conseguir garantir os direitos previstos na Constituição Federal. As mortes são frequentes e o motivo conhecido: tráfico de drogas.
Ontem, as principais ruas de acesso da Vila Parolin foram tomadas e bloqueadas. Cerca de 700 homens (entre policiais militares, civis, rodoviários e guarda municipal) participam da megaoperação desencadeada para reduzir a criminalidade e devolver a paz aos moradores. ''Sabemos que 99% das pessoas que moram aqui são ordeiras, honestas e trabalhadoras. A operação está sendo feita para elas'', afirmou ontem o sub-comandante do 13º Batalhão da Polícia Militar, major Renato Jorge da Silveira,
Os policiais fecharam as ruas da favela por volta das 5 horas. Uma hora depois eles tentaram cumprir os 26 mandados de prisão, busca e apreensão expedidos pela Justiça Estadual. Nenhum foi cumprido. Segundo a moradora J., 24 anos, nem poderiam ter sido. Ela relatou à Folha que um dia antes da operação os traficantes foram avisados sobre a ação policial e deixaram o local. ''A gente não sabia o que estava acontecendo. Vi todo mundo sair correndo ontem (anteontem) à noite. Tudo o que sabia é que eles deveriam deixar o local porque corriam risco. Hoje (ontem) descobri o porquê'', afirmou ela.
A moradora estava revoltada. A casa da irmã dela foi revirada. Os policiais, segundo ela, não tinham nem mandado de busca e apreensão para verificar todos os equipamentos que eram usados. O mesmo aconteceu com outra moradora, L., de 34 anos. A reportagem chegou no momento em que homens do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) deixavam a casa dela. Os policiais entraram sem mandado de busca e apreensão e pediram para ver tudo o que parecia suspeito: desde a documentação e o interior do veículo dela até um depósito de material reciclado. ''Não me senti coagida porque quero mesmo é que a criminalidade acabe. Tem muito roubo e morte por aqui. Tudo por conta do tráfico'', afirmou.


